Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

O chefe da polícia de Ferguson, Thomas Jackson, anuncia o nome do policial envolvido na morte de um jovem negro, em Ferguson, no Missouri, Estados Unidos, nesta sexta-feira. 15/08/2014 REUTERS/Lucas Jackson

(reuters_tickers)

Por Nick Carey

FERGUSON, Estados Unidos (Reuters) - Minutos antes de um policial matá-lo a tiros, Michael Brown tinha se tornado suspeito de roubar cigarros em uma loja, de acordo com registros da polícia divulgados nesta sexta-feira após dias de protestos em um subúrbio de St. Louis pela morte do jovem negro desarmado.

Mas o policial que matou Brown não estava ciente do fato, informou o chefe de polícia de Ferguson, Tom Jackson, em coletiva de imprensa.

O policial Darren Wilson, de 28 anos, disparou e matou Michael Brown durante uma discussão depois de pedir a Brown que saísse da rua e subisse na calçada, declarou Jackson.

“Ele estava no meio da rua bloqueando o tráfego. Foi isso”, disse Jackson.

A decisão do departamento de polícia, predominantemente branco, de divulgar o relatório sobre o roubo ocultando detalhes do tiroteio alimentou a revolta que já domina a área de St. Louis.

Após identificar Wilson como o policial envolvido na morte, Jackson o descreveu como um “cavalheiro” que está arrasado com a situação.

A identidade de Wilson vinha sendo mantida em segredo desde o incidente de 9 de agosto, mas as autoridades estavam sofrendo pressão crescente para identificar o policial e fornecer detalhes sobre a investigação para apaziguar a comunidade de maioria negra.

Desde a morte no sábado, manifestantes convergiram para Ferguson e atraíram as atenções para as tensões raciais na região. Milhares protestaram nas ruas da cidade, e o inconformismo desencadeou embates do domingo até a quarta-feira.

Grupos de direitos humanos se queixaram de que a morte de Brown é o episódio mais recente de um longo histórico de tratamento diferenciado, prisões discriminatórias e assédio da polícia.

Alguns moradores consideraram o relatório oficial sobre o roubo como o mais recente exemplo do padrão de comportamento policial.

"Esta é a forma como a polícia opera aqui, eles sempre difamam o nome da vítima", disse o morador Arthur Austin, de 39 anos. "Quanto mais eu ouço, menos eu confio no que a polícia está dizendo."

RELATOS CONFLITANTES

O presidente do grupo de direitos civis Rede Nacional de Ação, reverendo Al Sharpton, irá pagar o enterro de Brown e emitiu um comunicado nesta sexta-feira criticando o que chamou de “campanha de difamação” contra o jovem.

Sharpton declarou que irá liderar uma manifestação em Ferguson no domingo com a família de Brown, que expressou revolta com o relatório da polícia em uma declaração no Twitter, mas não comentou a alegação.

A versão da polícia difere profundamente dos relatos de testemunhas. Em seu primeiro relatório, a polícia afirmou que Brown lutou com Wilson dentro da viatura antes de o policial sacar a arma e disparar várias vezes contra o jovem.

Mas Dorian Johnson, amigo de Brown, e mais uma testemunha afirmaram que Brown tentava se afastar do policial, que tentou segurá-lo, e que Brown estendeu as mãos para o alto como sinal de rendição mais foi alvejado várias vezes.

A polícia admitiu que o corpo de Brown estava a mais de nove metros da viatura quando caiu e morreu e que vários cartuchos de bala foram encontrados no local.

(Por Nick Carey; com reportagem adicional de Jason McLure, em St. Louis; de Brendan O'Brien, em Milwaukee; de Carey Gillam, em Kansas City; e de Jonathan Allen e Brendan McDermid, em Nova York)

Reuters