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TÓQUIO (Reuters) - O Japão poderá realizar seu primeiro referendo para a revisão de sua constituição pacifista no próximo ano, um passo histórico que, se bem-sucedido, consolidaria o legado conservador do primeiro-ministro Shinzo Abe.

Abe fez uma proposta para revisar o artigo 9 da constituição, que renuncia à guerra, até 2020, com o objetivo de esclarecer o status ambíguo de suas forças armadas, conhecidas como as Forças de Autodefesa.

A alteração do artigo 9 seria extremamente simbólica para o Japão, onde os adeptos veem isso como o fundamento da democracia pós-guerra, mas muitos conservadores avaliam a situação como uma imposição humilhante da ocupação dos EUA após a derrota do Japão em 1945.

Também seria uma vitória para Abe, cuja agenda conservadora busca restaurar valores tradicionais e afrouxar restrições aos centros militares.

"Quando ele olha para trás em seus anos no cargo, ele quer poder dizer: 'Revisei a constituição'", disse o ex-vice-ministro da Defesa, Akihisa Nagashima.

Os passos concretos para mudar a carta provavelmente causariam preocupação na China e na Coreia do Sul, onde memórias amargas da agressão militar passada do Japão persistem, embora analistas digam que o novo governo de Seul pode abster-se de criticar diretamente, dada a necessidade de cooperação em relação aos programas de mísseis da Coreia do Norte.

(Por Linda Sieg; reportagem adicional de Tetsushi Kajimoto)

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