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Por Mario Naranjo
TEGUCIGALPA (Reuters) - O presidente deposto de Honduras Manuel Zelaya pediu na quarta-feira que Washington defina se apoia sua volta ao poder ou se está com o governo de facto que o derrubou, um dia depois de o Congresso adiar uma sessão-chave que decidiria seu futuro.
Na semana passada, e sob mediação dos EUA, Zelaya firmou um acordo com o governo de facto que o tirou do poder no final de junho para por fim à pior crise política no país em várias décadas.
Nos pontos principais, a iniciativa põe nas mãos do Congresso a análise da volta de Zelaya ao poder, fixa uma data para a formação de um governo de unidade nacional e abre o caminho para que as eleições presidenciais de 29 de novembro sejam reconhecidas pela comunidade internacional.
Mas Zelaya, em uma carta aberta à secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, acusou Washington de desrespeitar o acordo ao "reconhecer as eleições sem reverter o golpe de Estado nem resolver a profunda crise que atinge nosso país".
Na carta, lida por seu assessor Rasel Tomé na embaixada do Brasil onde Zelaya está refugiado, o presidente deposto pede que Hillary "esclareça ao povo hondurenho se a posição de seu país foi modificada ou se mudou sobre a condenação ao golpe de Estado em Honduras".
A carta veio a público depois que a comissão de verificação da OEA, que chegou à capital hondurenha na terça-feira, se reuniu com Zelaya.
Horas antes de divulgar a carta, Zelaya aceitou a decisão de terça-feira da Junta Diretiva do Congresso de pedir a opinião dos poderes judicial e cidadão antes de votar a possibilidade de restituí-lo.
Mas ele não aceitou, e até considerou uma ofensa, a convocação do governo de facto para cumprir o acordo que fixa 5 de novembro como prazo final para instalar um governo de unidade nacional.
O governo de facto pediu às diferentes forças políticas, incluindo Zelaya, que enviem sugestões de nomes para integrar o governo. Zelaya disse que o acordo não estabelecia esse mecanismo, já que o governo de unidade nacional deveria ter um presidente legítimo.

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Reuters