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Fumaça em prédios após ataque em Donetsk nesta quinta-feira. REUTERS/Sergei Karpukhin

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Por Thomas Grove

DONETSK, Ucrânia (Reuters) - Dois dos mais experientes rebeldes que combatem tropas do governo no leste da Ucrânia entregaram seus cargos nesta quinta-feira, aprofundando o caos no movimento separatista pró-Rússia, que vem sendo rechaçado pela ofensiva militar ucraniana.

As demissões aconteceram no mesmo dia em que disparos de artilharia atingiram pela primeira vez desde o início do conflito o centro da cidade de Donetsk, principal bastião dos rebeldes no leste do país.

Os revezes sofridos pelos separatistas podem forçar o presidente russo, Vladimir Putin, a adotar uma nova tática.

Embora tenha negado estar ajudando diretamente os rebeldes, sua estratégia de impedir a Ucrânia de se integrar ao Ocidente se beneficiou do fato de ter parte do país vizinho sob controle dos separatistas.

O mais destacado dos rebeldes a desistir da luta nesta quinta-feira usa o nome de coronel Igor Strelkov e era ministro da Defesa da autodeclarada República Popular de Donetsk.

Apelidado de "Strelok" – atirador – pelos combatentes sob seu comando, ele levava uma vida pacata em um subúrbio de Moscou, onde era conhecido como Igor Girkin. Kiev alega que ele era um oficial da inteligência russa, o que Moscou nega.

Vladimir Antyufeyev, vice-primeiro-ministro da organização separatista da região de Donetsk, disse à Reuters que Strelkov foi demovido do posto e que ocupará outro, com menor importância, e que o novo ministro da Defesa será Vladimir Kononov, um nativo de Donetsk.

“O inimigo será derrotado. A vitória será nossa”, declarou Antyufeyev quando indagado sobre as perspectivas de sucesso dos rebeldes após a série de demissões.

O chefe do governo rebelde autoproclamado da região de Luhansk, vizinha a Donetsk, também anunciou que está abandonando a função. Valery Bolotov afirmou estar ferido e incapaz de realizar suas tarefas.

Uma semana atrás, Alexander Borodai, premiê da República Popular de Donetsk, também se demitiu.

A sensação de que as forças governamentais estão apertando o cerco aos rebeldes ficou clara no quartel-general dos separatistas no centro de Donetsk nesta quinta-feira.

Um repórter da Reuters entrevistava Andrei Purgin, vice do novo premiê rebelde, quando tiros de artilharia caíram nas proximidades. Um homem gritou “vão para o porão!”, e quem estava no edifício rumou para as escadas, alguns correndo.

Em um discurso a ministros russos e membros do Parlamento reunidos em um hotel na Crimeia, Putin usou um tom mais discreto e conciliatório, dizendo querer fazer tudo que puder para deter o banho de sangue na Ucrânia.

(Reportagem adicional de Maxim Shemetov e Dmitry Madorsky no sul da Rússia, Martia Tsvetkova, Dmitry Zhdannikov e Katya Golubkova em Moscou e Alexei Anishchuk em Yalta, Crimeia)

Reuters