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RIAD (Reuters) - O grão-mufti da Arábia Saudita, xeique Abdulaziz Al al-Sheikh, a mais alta autoridade religiosa do país, disse nesta terça-feira que o grupo militante Estado Islâmico e a rede Al Qaeda são o "inimigo número 1 do islã", e de forma alguma fazem parte da fé muçulmana.

Embora o mufti e outros destacados clérigos sauditas tenham anteriormente condenado o Estado Islâmico, a Al Qaeda e outros grupos radicais, o momento da divulgação do comunicado do xeique é significativo, considerando os avanços desses militantes no Iraque.

"As ideias e o terrorismo de extremistas e militantes, que espalham a decadência na Terra, destruindo a civilização humana, não são de modo algum parte do islã, mas, sim, o inimigo número 1 do islã, e os muçulmanos são suas primeiras vítimas", disse ele num comunicado divulgado pela agência oficial saudita de notícias SPA.

Em seguida, o líder religioso comparou esses grupos ao movimento dos kharijitas, nos primórdios da religião muçulmana, que assassinou o genro do profeta Maomé, Ali, por ter feito acordos com uma seita islâmica rival, e que é considerado herege pela maioria das seitas muçulmanas que se firmaram depois.

A Arábia Saudita segue a ultraconservadora vertente wahabi, do islamismo sunita. O país considera os militantes islamitas que promoveram ataques no reino uma década atrás como uma ameaça à sua estabilidade.

Embora clérigos do alto escalão wahabita endossem a execução por decapitação em casos de delitos como apostasia, adultério e feitiçaria, se oponham a que as mulheres dirijam veículos e definam os xiitas como hereges, eles divergem da Al Qaeda e dos militantes do Estado Islâmico quanto à promoção de revoltas violentas.

A Arábia Saudita tem sido um dos principais aliados dos rebeldes que combatem o presidente sírio, Bashar al-Assad, mas vem mandando dinheiro e armas para outros grupos islâmicos, e não para a Al Qaeda e o Estado Islâmico. Estima-se que milhares de sauditas tenham ido para a Síria lutar ao lado de grupos rebeldes, incluindo os de cunho islamista.

(Reportagem de Angus McDowall)

Reuters