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Pessoas assistem a uma reportagem de TV sobre o lançamento de um míssil pela Coreia do Norte, em uma estação ferroviária em Seul, na Coreia do Sul. 29/04/2017 REUTERS/Kim Hong-Ji

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Por Christine Kim

SEUL (Reuters) - O programa de mísseis da Coreia do Norte está progredindo mais rápido do que o esperado, disse o ministro da Defesa da Coreia do Sul nesta terça-feira, horas depois de o Conselho de Segurança da Organização da ONU exigir que o Norte interrompa todos os testes nucleares e de mísseis balísticos e repudiar um lançamento realizado no domingo.

O regime recluso, que desafia todos os clamores para que contenha seus programas de armas --até de sua única grande aliada, a China--, busca desenvolver um míssil equipado com uma ogiva nuclear capaz de atingir o território continental dos Estados Unidos.

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pediu a interrupção imediata das provocações de Pyongyang e alertou que a "era da paciência estratégica" com o Norte acabou. O embaixador de desarmamento dos EUA, Robert Wood, disse nesta terça-feira que a influência chinesa é essencial e que Pequim pode fazer mais.

O ministro da Defesa sul-coreano, Han Min-koo, disse ao Parlamento que o teste de lançamento foi "bem-sucedido em voo".

"É considerado um IRBM (míssil balístico de alcance intermediário) de calibre reforçado quando comparado aos mísseis Musudan que têm fracassado continuamente", afirmou, referindo-se a uma classe de mísseis concebidos para viajar de 3 mil a 4 mil quilômetros.

Indagado se o programa de mísseis norte-coreano está evoluindo mais rápido do que Seul esperava, ele respondeu: "Sim".

A agência de notícias norte-coreana oficial KCNA relatou que o disparo de domingo testou a capacidade do míssil para transportar "uma ogiva nuclear pesada e grande". Na segunda-feira, embaixador norte-coreano na China disse em Pequim que seu país irá continuar com tais testes de lançamento "a qualquer hora, em qualquer lugar".

O míssil percorreu 787 quilômetros em uma trajetória que alcançou a altitude de 2.111,5 quilômetros, relatou a agência.

Pyongyang ameaça com frequência destruir os EUA, que acusa de ter levado a península coreana à beira de uma guerra nuclear por ter realizado exercícios militares com a Coreia do Sul e o Japão recentemente.

Trump e o novo presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in, irão se encontrar em Washington no mês que vem, e a Coreia do Norte deve ser um dos principais tópicos em pauta, disse a Casa Azul, a residência presidencial sul-coreana.

Em um comunicado unânime, o Conselho de Segurança da ONU disse ser de importância vital que a Coreia do Norte mostre um "comprometimento sincero com a desnuclearização por meio da ação concreta e enfatizou a importância de se trabalhar para reduzir as tensões".

(Reportagem adicional de Michelle Nichols, na ONU; Kiyoshi Takenaka, em Tóquio; Tom Miles, em Genebra; e Ju-min Park, em Seul)

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