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Manifestantes lançam garrafas cheias de fezes, conhecidas como "cocotov", durante protestos 10/05/2017 REUTERS/Carlos Garcia Rawlins

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Por Andrew Cawthorne e Andreina Aponte

CARACAS (Reuters) - Um motorista morreu nesta quarta-feira na Venezuela após ser baleado em um protesto na cidade de Mérida, no oeste do país, informou a Promotoria, que contabiliza 37 mortos em meio à onda de protestos contra o governo do presidente Nicolás Maduro.

O Ministério Público disse que foi aberta uma investigação sobre a morte de Anderson Dugarte, de 32 anos, que costumava transportar pessoas em sua moto e foi baleado na cabeça em um protesto na segunda-feira.

Apesar das centenas de mortos e feridos em manifestações, milhares de apoiadores da oposição tomaram as principais avenidas do país nesta quarta-feira para manter os protestos quase diários contra o que consideram uma "ditadura" de Maduro.

No protesto, alguns manifestantes jogavam garrafas cheias de fezes, conhecidas como "cocotov", contra as forças de segurança, que desde que os atos começaram, há um mês, têm bloqueado seu caminho com barreiras e lançamento de gás lacrimogêneo.

Embora as autoridades tenham advertido na véspera sobre a ilegalidade do ato no protesto, jovens com os rostos cobertos e capacetes, usavam estilingues para jogar recipientes de fezes, juntamente com as habituais pedras e coquetéis molotov em uma via da capital, disseram testemunhas da Reuters.

"Estamos na rua para ficar. Não sairemos daqui até isso acabar, até Maduro sair", disse Luis Orta, um empresário de 52 anos, que caminhava ao lado de outros que carregavam, como ele, escudos de madeira, como um símbolo de sua defesa à Constituição.

A oposição rejeitou a iniciativa do presidente Maduro de convocar uma assembleia para introduzir alterações à Constituição, como uma maneira de resolver a crise política, e exige a convocação de eleições gerais para suprimir o conflito.

O governo socialista disse, entretanto, que as ações de rua da oposição só buscam criar o caos para finalmente derrubá-lo e ordenou que sejam julgados em tribunais militares os manifestantes civis detidos.

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