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BOGOTÁ (Reuters) - As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), grupo rebelde hoje desmobilizado, disse nesta sexta-feira que seus bens, contingenciados para pagar indenizações a vítimas, totalizam 324 milhões de dólares, mais centenas de quilos de ouro, e rejeitaram acusações do governo segundo as quais não listou todas suas posses.

O grupo incluiu calçados e laranjais na lista de bens que entregará, provocando a ira de autoridades que afirmam que a guerrilha tem uma grande riqueza extraída do crime e levando o governo a criar uma comissão especial de verificação para examinar a lista.

Conforme o acordo de paz de 2016, as Farc concordaram em entregar todos seus fundos e suas propriedades para indenizar as vítimas de desaparecimentos forçados, estupros, deslocamentos, sequestros e minas terrestres.

O grupo passou décadas extorquindo proprietários de terras e empresários, obteve resgates de sequestros e vendeu coca, o principal ingrediente da cocaína, a traficantes de droga.

As propriedades, o dinheiro em várias moedas, os equipamentos e outras posses listadas somam 963,2 bilhões de pesos (324,4 milhões de dólares), disseram líderes das Farc a repórteres nesta sexta-feira.

O Procurador-Geral da Colômbia e os ministros da Justiça, do Interior e do Pós-Conflito criticaram a lista na quinta-feira, dizendo que ela zomba das vítimas e incluiu muitos itens de pouco ou nenhum valor monetário.

"Com o inventário de bens e fundos, as Farc continuaram a cumprir estritamente aquilo com que concordamos", disse Pastor Alape, membro do secretariado rebelde, acrescentando que foi difícil compilar a lista porque os bens da guerrilha não estão centralizados e porque muitos registros, onde existiam, foram destruídos durante os combates.

"Tomamos a decisão de aceitar como nossos os bens identificados pelo Estado, principalmente pelo Procurador-Geral, que não estão em nosso inventário, porque nós mesmos carecemos de informações sobre eles".

A lista inclui quase 600 casas, 327,5 quilos de ouro e 196 bilhões de pesos que as Farc dizem ter gasto na construção de estradas.

As autoridades colombianas já haviam acusado as Farc de possuírem grandes quantidades de dinheiro, além de ranchos, negócios e casas de luxo, inclusive no exterior. Alape negou que o grupo tenha bens fora do país.

Os rebeldes terminaram de entregar mais de 8 mil armas à Organização das Nações Unidas (ONU), que supervisionou sua desmobilização, no início deste mês. No domingo a guerrilha iniciará uma conferência que promete concretizar sua transição para um partido político.

(Por Julia Symmes Cobb)

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Reuters