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Primeiro-ministro do Iraque, Nuri al-Maliki, durante entrevista coletiva em Bagdá. 26.07/2014. REUTERS/Stringer

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Por Michael Georgy e Ahmed Rasheed

BAGDÁ (Reuters) - O presidente do Iraque nomeou um novo primeiro-ministro para acabar com os oito anos de governo de Nuri al-Maliki nesta segunda-feira, mas o líder veterano se recusou a sair e mobilizou milícias e forças especiais nas ruas, criando um perigoso duelo político em Bagdá.

Washington, que ajudou a empossar Maliki após a invasão norte-americana em 2003, que derrubou Saddam Hussein, parabenizou Haidar al-Abadi, ex-tenente de Maliki indicado pelo presidente, Fouad Masoum, para substitui-lo.

Mas o Partido Dawa, de Maliki, declarou que a substituição é ilegal, e o genro do premiê disse que ele irá reverter a decisão nos tribunais. Washington mandou um recado severo para que Maliki não “agite as águas” usando a força para preservar o cargo.

Muçulmano xiita, Maliki é acusado por seus ex-aliados de Washington e Teerã de alienar os sunitas e incitar uma revolta que ameaça destruir o país. Líderes das comunidades sunita e curda do Iraque exigiram sua saída e até muitos xiitas se voltaram contra ele.

O próprio Maliki não disse nada sobre a decisão de trocá-lo, mantendo um silêncio pétreo nesta segunda-feira ao lado de um colega de partido, que leu uma declaração em rede nacional de TV declarando a nomeação de Abadi ilegal.

Abadi "só representa a si mesmo", leu Khalaf Abdul-Samad.

O genro de Maliki, Hussein al-Maliki, declarou à Reuters que seu grupo irá combater a decisão: “Não ficaremos quietos.”

“A nomeação é ilegal e inconstitucional. Iremos contestar no tribunal federal”.

Washington deixou claro seu apoio ao novo líder. A Casa Branca informou que o vice-presidente norte-americano, Joe Biden, transmitiu os cumprimentos do presidente, Barack Obama, a Abadi em uma conversa telefônica.

O presidente Masoum pediu a Abadi que forme um governo que conquiste o apoio de todos os grupos do Parlamento eleito em abril. Em comentários feitos na TV, Masoum, um curdo, exortou Abadi a “formar um governo de base ampla” ao longo do próximo mês.

À medida que policiais e forças armadas de elite, muitas equipadas e treinadas pelos EUA, fechavam as ruas da capital Bagdá, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, enviou um alerta contundente para que Maliki não lute para se manter no poder.

“Não deve haver uso de força, tropas ou milícias neste momento de democracia no Iraque”, declarou. “O processo de formação do governo é crucial para a manutenção da estabilidade e da calma no país, e temos esperança de que o senhor Maliki não irá agitar as águas.”

Opositores do premiê o acusam de abusar do sistema mantendo os cargos de segurança sob seu controle, em vez de compartilhar as posições com outros grupos, alienando especialmente os sunitas ao ordenar a prisão de seus líderes políticos.

O Estado Islâmico tem explorado esse ressentimento para obter o apoio de outros grupos armados sunitas.

Reuters