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Protesto contra o presidente venezuelano Maduro em Caracas 26/5/2017 REUTERS/Christian Veron

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Por Deisy Buitrago e Corina Pons

CARACAS (Reuters) - Nas montanhas acima de Caracas, duas autoridades do governo muitas vezes vigiam as antenas da rede de TV de notícias Globovisión, preparados para tirá-la do ar caso reguladores desaprovem a cobertura de protestos antigoverno, de acordo com dois funcionários da estação.

Eles disseram que a emissora de notícias venezuelana, transmitida 24 horas, recebe alertas habituais da reguladora estatal de telecomunicações, Conatel, contra exibição de imagens ao vivo de confrontos entre manifestantes antigoverno e forças da segurança, ou transmissão de termos como “ditadura” e “repressão”.

“É uma ameaça diária”, disse um dos funcionários, citando informações de diretores da emissora e pedindo para não ser identificado por temores de represálias.

“A Conatel está tomando decisões sobre a cobertura.”

Em contraste com ondas antigas de agitação na Venezuela, especialmente durante o governo Hugo Chávez, de 1999 a 2013, as três principais redes de TV privadas do país forneceram cobertura ao vivo mínima das mais recentes manifestações antigoverno.

As emissoras raramente exibem mais de alguns minutos de imagens em tempo real de manifestações, que variam de marchas pacíficas a confrontos violentos que deixaram 57 pessoas mortas, em meio à ira contra o presidente Nicolás Maduro e frustração sobre a economia.

No entanto, as redes privadas, incluindo a Globovisión, dão peso igual para líderes da oposição e do governo e manifestantes nas transmissões – contrário a acusações de críticos de que silenciam a oposição.

“Se as pessoas do exterior tirassem amostras diretamente da mídia televisiva da Venezuela, ao contrário do que estão julgando pelo que é dito sobre ela na mídia internacional e algumas grandes ONGs, ficariam chocadas em descobrir a oposição constantemente denunciando o governo e até mesmo fazendo apelos muito velados às forças militares para destituírem Maduro”, disse Joe Emersberger, blogueiro canadense que monitora a mídia venezuelana e escreve para a rede Telesur, financiada pelo Estado.

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