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Por Daniela Desantis

ASSUNÇÃO (Reuters) - Forças de segurança cercaram o Congresso do Paraguai nesta terça-feira enquanto parlamentares debatiam uma possível mudança de legislação que permitiria ao presidente Horacio Cartes concorrer à reeleição, uma medida que a oposição afirma que iria enfraquecer as instituições democráticas.

Um projeto de lei que permitiria que os presidentes concorressem a um segundo mandato de cinco anos foi rejeitado pela legislatura no ano passado, mas nesta semana um grupo de senadores pediu uma sessão especial que a oposição interpretou como o início de uma nova campanha de Cartes e de sua coalizão visando a aprovação da reeleição presidencial.

Líderes opositores e dissidentes do partido de Cartes o acusam de tentar abalar os fundamentos democráticos do país ordenando que o Congresso fosse cercado por policiais e soldados.

"Temos que salvaguardar a República", disse a senadora Blanca Ovelar, do Partido Colorado, de Cartes, que rompeu com o presidente. "Esta é uma situação de ruptura institucional".

Magnata dos refrigerantes e do tabaco, Cartes foi eleito para um mandato de cinco anos em 2013. Seus apoiadores mais entusiasmados querem que ele possa se candidatar para mais um mandato no ano que vem, mas críticos dizem que uma mudança constitucional feita para beneficiar um presidente no cargo seria injusta.

O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) irá realizar uma reunião regional em Assunção a partir de quinta-feira. As consultorias de seguridade International SOS e Control Risks emitiram um comunicado alertando os participantes da conferência a evitarem os arredores do edifício do Congresso caso as tensões se agravem.

Na quarta-feira, milhares de agricultores de baixa rende devem se reunir na capital para pleitear uma reforma agrária. Protestos a favor de mais proteções para os pequenos agricultores são realizados no Congresso todo mês de março.

Os apoiadores de Cartes no Congresso dizem que irão insistir com sua petição por uma sessão especial com o objetivo de alterar as regras legislativas, o que pode ressuscitar o projeto de lei da reeleição. As normas atuais não permitiriam à Casa abordar essa questão antes da passagem de um ano desde a rejeição da proposta original, o que ocorreu em agosto passado.

"Estou muito surpresa com este abuso de poder de não se permitir a mudança nas regras. Queremos a participação do povo e ficaremos aqui o quanto for necessário", disse a senadora Lilian Samaniego, aliada de Cartes.

Reuters