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Sobrevivente conta detalhes de ataque à revista Charlie Hebdo

Flores e velas do lado de fora da antiga sede da revista satírica Charlie Hebdo em Paris 07/01/2020 REUTERS/Gonzalo Fuentes reuters_tickers
Este conteúdo foi publicado em 09. setembro 2020 - 16:35

Por Tangi Salaün

PARIS (Reuters) - Um sobrevivente do ataque de 2015 à revista satírica Charlie Hebdo contou a um tribunal francês nesta quarta-feira que os homens armados disseram "Allahu akbar" ("Deus é grande") e então atiraram nele com rifles Kalashnikov.

Simon Fieschi foi o primeiro funcionário que os dois homens armados encontraram quando entraram nos escritórios da revista em Paris. Ele disse que depois de ser baleado perdeu a consciência e os atiradores passaram para outros alvos.

"Foi tudo muito rápido para mim", afirmou Fieschi, de 36 anos, que mancou até o banco das testemunhas usando uma muleta, mas recusou a oferta para se sentar, dizendo que preferia testemunhar em pé.

"Lembro-me da porta se abrindo violentamente e de tiros. Lembro-me de um homem que disse: 'Allahu akbar' e, em seguida, 'Não matamos mulheres'", contou Fieschi, que estava encarregado das plataformas digitais da revista.

"Perdi a consciência, o que sem dúvida salvou minha vida", disse ele. Uma bala atingiu seu pescoço e danificou sua coluna vertebral, deixando-o com dores constantes e mobilidade reduzida.

Fieschi prestou depoimento na segunda semana de um julgamento de 14 supostos cúmplices dos atiradores islâmicos que tinham como alvo a revista satírica francesa Charlie Hebdo e um supermercado judeu, matando 17 pessoas. Os atiradores estão mortos.

A revista foi alvo de radicais islâmicos, de acordo com os promotores, porque publicou charges do profeta Maomé. As representações do profeta são consideradas blasfêmias pelos muçulmanos.

(Por Christian Lowe)

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