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Por Michael Shields

ZURIQUE (Reuters) - A familiaridade crescente dos suíços com estrangeiros morando no país e um processo gradual de obtenção de cidadania ajudaram a frustrar os esforços da extrema-direita para explorar o sentimento antimuçulmano em uma votação que facilitou a naturalização de imigrantes da terceira geração.

O Partido do Povo da Suíça (SVP, na sigla em alemão) usou cartazes mostrando uma mulher vestindo burca com o slogan "não à naturalização sem verificação" para combater a medida, que obteve 60 por cento de aprovação em um referendo no domingo, mesmo em meio ao clima cada vez mais hostil aos imigrantes em muitos países europeus.

Analistas políticos opinaram que o SVP exagerou na campanha.

"Glarner tropeça na burca" foi a manchete do tablóide de grande circulação Blick, observando que o ativista de campanha Andreas Glarner, do SVP, não conseguiu liderar a votação nem mesmo na cidade da qual é prefeito.

"Vocês são bem-vindos. Vocês são necessários aqui", disse Nico Menzato, colunista do Blick, à comunidade de jovens que seguem sendo estrangeiros mesmo depois de seus avôs terem criado raízes locais.

Sob o sistema antigo eles enfrentavam um procedimento de naturalização demorado e muitas vezes caro, mas agora irão passar pelo mesmo processo otimizado dos estrangeiros que se casam com cidadãos suíços.

Cerca de 25 mil pessoas –a maioria de Itália, Turquia e Bálcãs– podem ter acesso ao novo tratamento.

A nova emenda constitucional simplifica –mas não torna automática– a naturalização de pessoas bem integradas de não mais de 25 anos que nasceram na Suíça, compartilham seus valores culturais, falam uma das línguas nacionais e não vivem de subsídio estatal.

"Acho que os cartazes agressivos dos opositores foram bastante contraproducentes", disse Ada Marra, parlamentar do Partido Social Democrata cujos pais trocaram a Itália pela Suíça e que tem passaportes dos dois países, ao jornal Tages-Anzeiger.

Ela foi uma das principais forças por trás do referendo vinculante, no qual os eleitores tiveram a palavra final, como manda a democracia direta do país.

Reuters