Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Por Raheem Salman

BAGDÁ (Reuters) - Líderes tribais e clérigos do coração sunita do Iraque que se rebelaram contra o governo de predominância xiita do primeiro-ministro Nuri al-Maliki, que deixou o cargo nesta semana, estão dispostos a participar do novo gabinete se certas condições forem atendidas, disse um porta-voz nesta sexta-feira.

Um dos líderes tribais sunitas mais poderosos do Iraque afirmou estar pronto a trabalhar com o novo premiê, Haider al-Abadi, contanto que ele proteja os direitos da minoria, que foi marginalizada por Maliki.

Em um pronunciamento na televisão, Ali Hatem Suleiman, chefe da tribo Dulaimi, que domina a província de Anbar, bastião sunita no país, disse que a decisão de combater os insurgentes sunitas do Estado Islâmico, que ameaçam desmembrar o Iraque, será tomada mais tarde.

Xiita moderado, Abadi enfrenta a tarefa intimidante de pacificar Anbar, onde as frustrações dos sunitas com as políticas sectárias de Maliki estimularam alguns a se juntar à insurreição do Estado Islâmico.

Seu êxito em conquistar os sunitas irá depender em grande medida de sua capacidade de deter as milícias xiitas apoiadas pelo Irã, que muitas vezes agem independentemente do governo, prendendo pessoas. Os milicianos dizem estar à procura de terroristas do Estado Islâmico.

Taha Mohammed Al-Hamdoon, porta-voz de líderes tribais e clérigos, declarou que representantes sunitas em Anbar e outras províncias elaboraram uma lista de exigências a serem entregues a Abadi.

Ele pediu ao governo e às milícias xiitas que suspendam a hostilidades para dar espaço a conversas.

“Não é possível conduzir negociações sob bombardeio indiscriminado”, disse Hamdoon em entrevista por telefone à Reuters. “Que o bombardeio cesse e que as milícias xiitas sejam reduzidas até haver uma solução para os entendidos nestas áreas”.

Hamdoon já foi porta-voz de manifestantes cujas demandas iam da reforma de leis que dizem ser usadas injustamente para perseguir sunitas à criação de sua própria região, de forma semelhante aos curdos iraquianos, que administram uma área semi-autônoma no norte do país.

A lista de exigências em um documento visto pela Reuters inclui o fim do bombardeio de áreas sunitas, o retorno seguro de deslocados, compensação e anistia a detidos e a retirada de milícias xiitas das cidades.

Não ficou claro se Hamdoon e seus apoiadores conseguirão persuadir outros sunitas a segui-los se apoiarem o governo de Abadi.

Reuters