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RAMALLAH, Cisjordânia (Reuters) - Enquanto a Faixa de Gaza queima, a Cisjordânia ocupada arde sem chamas, com violentos confrontos entre palestinos e forças israelenses levantando o espectro de uma nova revolta popular depois de anos de relativa calma.

Em apenas um período de três dias na semana passada, dez palestinos morreram e cerca de 600 pessoas ficaram feridas durante uma onda de protestos contra a ofensiva militar prolongada nas proximidades de Gaza.

Neste domingo, a polícia israelense disse que frustrou um ataque potencialmente mortal quando parou um carro carregado com explosivos enquanto o motorista tentava chegar a Israel através de um posto de controle na Cisjordânia. Tumultos ocorreram mais uma vez durante a noite em Jerusalém Oriental.

Em tempos normais, tal atrito estaria dominando as manchetes locais, mas, com todos os olhos fixos em Gaza, onde mais de mil palestinos morreram até agora em 20 dias de combates, a tensão crescente tem sido largamente ignorada.

Se o derramamento de sangue em Gaza continuar por muito mais tempo, segundo os palestinos, pode ser impossível para Israel ou o presidente palestino apoiado pelo Ocidente, Mahmoud Abbas, manter o controle sobre a crescente raiva na Cisjordânia.

"É prematuro descrever o que está acontecendo como uma revolta, (porém) os palestinos superaram seu medo e estão pressionando os postos de controle israelenses", disse Hani al-Masri, um analista político em Ramallah, ao norte de Jerusalém.

Mais de 10 mil palestinos marcharam para o posto de controle de Qalandia fora de Ramallah na noite de quinta-feira, o maior agrupamento em anos, com famílias inteiras se unindo à manifestação.

"Para Jerusalém vamos, mártires aos milhões!", gritavam as multidões. "Sacrificamos nossas almas e o nosso sangue para você, Gaza!"

Nos confrontos que se seguiram, jovens atiraram pedras e fogos de artifício gritando contra soldados israelenses, que dispararam de volta com balas de borracha e de verdade, matando um jovem de 17 anos e ferindo dezenas, segundo médicos palestinos que atenderam os feridos.

(Por Ali Sawafta)

Reuters