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Por Nidal al-Mughrabi e Dan Williams

GAZA/JERUSALÉM (Reuters) - Israel não vê necessidade de outro cessar-fogo em Gaza, de acordo com uma autoridade do país nesta segunda-feira, à medida que as tensões entre o governo do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e Washington se acirram por conta da mediação dos Estados Unidos para encerrar a guerra que já dura três semanas.

O combate diminuiu no fim de semana, após militantes islâmicos do Hamas, grupo dominante do enclave palestino, terem endossado um pedido da Organização das Nações Unidas para uma trégua de 24 horas antes da comemoração do feriado islâmico do Eid al-Fitr, nesta segunda-feira.

Moradores da Faixa de Gaza e testemunhas da Reuters disseram que os bombardeios de Israel e o lançamento de foguetes do Hamas diminuíram aos poucos no domingo, indicando que uma trégua de fato estava sendo implementada antes do feriado do Eid al-Fitr, que começa nesta segunda-feira.

Mas Israel Israel abandonou sua própria oferta de estender uma trégua de 12 horas iniciada no sábado à medida que os ataques de foguetes pelos palestinos persistiam. E o gabinete de segurança de Netanyahu reuniu-se na manhã desta segunda-feira para debater as propostas, incluindo um aumento na escala da ofensiva de Gaza na qual 1.100 pessoas morreram.

O secretário de Estado dos EUA, John Kerry, visitou a região na semana passada para tentar conter o derramamento de sangue, tendo o contato com o Hamas - o qual Hamas oficialmente não reconhece - facilitado por Egito, Turquia, Catar e pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas, apoiado pelo Ocidente.

Israel quer que o Egito, que também tem fronteira com a Faixa de Gaza e vê o Hamas como uma ameaça à sua segurança, assuma a liderança para conter os militantes islâmicos palestinos, preocupado com que o Catar e a Turquia cedam às pressões do Hamas para abrir as fronteiras do território bloqueado.

Uma série de vazamentos à imprensa por autoridades de Israel condenando um projeto de acordo atribuído a Kerry, considerado muito favorável ao Hamas, foi contestada por um representante dos EUA, o qual, também em anonimato, disse a repórteres que os esforços dos principais diplomatas haviam sido descaracterizados.

Mas o presidente norte-americano, Barack Obama, que telefonou para Netanyahu no domingo, colocou pressão sobre Israel para que seja estabelecido um cessar-fogo incondicional e pareceu conectar a principal demanda israelense, de que o Hamas seja despojado de foguetes e túneis de infiltração, a um acordo com os palestinos que está longe do horizonte diplomático.

“O presidente salientou a visão dos EUA de que, no fim das contas, qualquer solução duradoura para o conflito israelense-palestino deve garantir o desarmamento de grupos terroristas e a desmilitarização de Gaza”, disse a Casa Branca.

O governo dos EUA acrescentou que, embora Obama queira que qualquer trégua esteja dentre das linhas de um acordo egípcio que encerrou a última guerra em Gaza, em novembro de 2012, os Estados Unidos também apoiam “uma coordenação regional e internacional para encerrar as hostilidades”.

Israel não respondeu imediatamente nem deu sinais sobre o que foi decidido na última reunião de gabinete.

Mas a rádio de Israel citou uma autoridade não-identificada do governo israelense dizendo: “não há necessidade de mais cessar-fogo, deixe o Hamas parar de atirar primeiro”.

Uma pesquisa divulgada pelo Canal 10 da TV israelense no domingo mostrou que cerca de 87 por cento dos entrevistados queriam que Israel continuasse com a operação até que o Hamas fosse esmagado. Outra pesquisa, publicada no jornal Jerusalem Post, revelou que 86,5 por cento dos judeus, a maioria em Israel, se opunham a uma trégua enquanto os disparos de foguetes continuarem e Gaza mantiver qualquer um dos túneis transfronteiriços.

Ataques aéreos, marítimos e terrestres de Israel mataram 1.031 palestinos, a maioria deles civis, incluindo mulheres e muitas crianças, de acordo com autoridades de Gaza. Israel diz que 43 de seus soldados morreram, assim como três civis foram mortos por ataques de foguetes e morteiros vindos de Gaza.

Reuters