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Por Lesley Wroughton

ANCARA (Reuters) - O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, conversou com líderes da Turquia durante uma vista de um dia a um aliado da Otan que é crucial para a luta contra o Estado Islâmico, mas que vem se chocando cada vez mais com os EUA e seus parceiros europeus.

Tillerson teve uma reunião a portas fechadas com o presidente turco, Tayyip Erdogan, durante a qual deveria debater a luta contra o Estado Islâmico liderada pelos EUA, inclusive a ofensiva planejada contra o bastião sírio do grupo em Raqqa, onde o apoio norte-americano a milicianos curdos está irritando a Turquia.

Antes ele se encontrou com o primeiro-ministro turco, Binali Yildirim, e discutiu os esforços para derrotar o Estado Islâmico na Síria e no Iraque, segundo o escritório do premiê. Uma autoridade do Departamento de Estado dos EUA disse que Tillerson enfatizou o "papel importante" da Turquia para a segurança regional.

Erdogan tem se irritado com a disposição de Washington para trabalhar com a milícia curda Unidades de Proteção Popular (YPG) no combate aos extremistas. Ancara vê o YPG como uma extensão do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), uma insurgência de três décadas contra o governo turco que os EUA e a União Europeia consideram um grupo terrorista.

As relações entre EUA e Turquia também foram abaladas pela permanência do clérigo turco Fethullah Gulen em solo norte-americano. Erdogan culpa Gulen pelo golpe de Estado fracassado de julho do ano passado em seu país, e quer sua extradição.

Os laços se deterioraram durante a gestão do ex-presidente Barack Obama, e autoridades de Ancara estão torcendo por um recomeço com o presidente Donald Trump, mas houve poucos sinais de melhora.

A visita de Tillerson ocorre menos de três semanas antes de um referendo por meio do qual Erdogan está pleiteando uma mudança constitucional para ganhar mais poderes, uma medida que seus opositores e alguns aliados europeus temem aumentar o autoritarismo.  

Autoridades de alto escalão dos EUA disseram que o secretário não irá se reunir com a oposição turca durante a visita, um sinal de que irá evitar a discussão de temas domésticos e ao mesmo tempo tentar manter o foco no combate ao Estado Islâmico.

Mas sua viagem ganhou mais dramaticidade após a prisão de um executivo do banco estatal turco Halkbank em Nova York na segunda-feira, sob a acusação de conspiração em um esquema para evitar sanções norte-americanas ao Irã que já duraria anos.

Reuters