Conteúdo externo

O seguinte conteúdo vem de parceiros externos. Nós não podemos garantir que esse conteúdo seja exibido sem barreiras.

Crânios são expostos em memorial em homenagem às vítimas do Khmer Vermelho no Camboja. 07/08/2014 REUTERS/Damir Sagolj

(reuters_tickers)

Por Prak Chan Thul

PHNOM PENH (Reuters) - Um tribunal apoiado pela ONU no Camboja sentenciou, nesta quinta-feira, os dois principais líderes sobreviventes do regime do Khmer Vermelho nos anos 1970 à prisão perpétua, dando uma aparência de Justiça a um dos capítulos mais sangrentos e obscuros do século 20.

A decisão foi apenas a segunda a ser tomada contra “os mais responsáveis” pelas mortes de até 2,2 milhões de cambojanos, e pode ser a última aplicada por um tribunal afetado por disputas e atrasos desde sua criação há nove anos. 

Nuon Chea, de 88 anos, conhecido como “Irmão Número Dois”, e o ex-presidente Khieu Samphan, de 83 anos, foram considerados culpados pelos crimes contra a humanidade orquestrados pelo regime, como parte de sua revolução maoísta que durou de 1975 a 1979. 

Utilizando óculos escuros, o debilitado Nuon Chea permaneceu sentado quando a decisão foi lida. Khieu Samphan ficou de pé para a sentença, ouvindo atentamente, mas sem mostrar reação.

“Houve ataques sistemáticos e difundidos contra a população civil do Camboja, ataques realizados em muitas formas -- mudança forçada, assassinato, extermínio, desaparecimento, ataques contra a dignidade humana e perseguição política”, disse o juiz Nil Nonn.

Os dois homens enfrentam acusações separadas de genocídio na segunda fase desse complexo julgamento. Havia inicialmente quatro réus, mas o ex-ministro das Relações Exteriores Ieng Sary faleceu em 2012, e sua esposa e ex-ministra Ieng Thirith têm Alzheimer, sendo descartada do julgamento. 

A maioria das vítimas morreu de fome, tortura, exaustão ou doença em campos de trabalho, ou foram espancadas até a morte durante execuções em massa pelo país. 

Liderado por Pol Pot, o regime buscou levar o Camboja de volta ao “ano zero”, em sua busca pela utopia campesina. Pol Pot, o “Irmão Número Um”, morreu em 1998.

Reuters