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Presidente eleito dos EUA, Donald Trump. REUTERS/Mike Segar

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Por Guy Faulconbridge e William James

LONDRES (Reuters) - O presidente eleito dos Estados Unidos, Donald Trump, disse em entrevista ao jornal londrino The Times que vai propor o fim das sanções contra a Rússia aplicadas após a anexação da Crimeia em troca de um acordo de redução de arsenal nuclear com Moscou.

Com críticas a políticas externas anteriores dos EUA, em uma entrevista publicada nesta segunda-feira, ele descreveu a invasão ao Iraque liderada pelos EUA em 2003 como possivelmente o erro mais grave na história dos Estados Unidos e algo como “jogar pedras em uma colmeia”.

Mas Trump, que tomará posse na sexta-feira como 45º presidente dos EUA, levantou a possibilidade do primeiro grande acordo de controle de armas nucleares com Moscou desde o Tratado Estratégico de Redução de Armamentos assinado por Barack Obama em 2010. 

“Existem sanções contra a Rússia. Vamos ver se podemos fazer alguns bons acordos com a Rússia”, disse o presidente eleito ao The Times. “Por um lado, acho que armas nucleares devem ser reduzidas substancialmente, isso faz parte. Mas a Rússia está muito prejudicada agora por causa das sanções, e eu acho que algo pode ser feito para beneficiar muitas pessoas.”

Estados Unidos e Rússia são, de longe, as maiores potências nucleares do mundo. Os EUA possuem 1.367 bombas nucleares alocadas em mísseis estratégicos e lançadores de bombas, enquanto a Rússia tem 1.796, de acordo com avaliação mais recente publicada pelo Departamento de Estado dos EUA. 

Sob o acordo de 2010, Rússia e EUA concordaram em limitar o número de armas estratégicas nucleares de longo alcance que podem mobilizar. 

Trump disse que vai buscar melhorar as relações com Moscou apesar de críticas de que está muito ansioso para ter o presidente russo, Vladimir Putin, como aliado. 

Os Estados Unidos e outras potências ocidentais impuseram sanções contra a Rússia em 2014 após o país ter anexado a península da Crimeia, antes território da Ucrânia, e também por conta do apoio de Moscou a militantes pró-Rússia no leste ucraniano. 

Em reação às declarações de Trump, o Kremlin afirmou nesta segunda-feira que ainda é muito cedo para comentar sobre a proposta de acordo, e disse que a Rússia irá aguardar até Trump assumir a Presidência antes de comentar sobre quaisquer acordos propostos. [nL1N1F609N]

Questionado em quem ele confiaria mais, se na chanceler alemã, Angela Merkel, ou em Putin, Trump disse: “Bem, vou começar confiando em ambos, mas vamos ver quanto tempo isso dura. Pode não durar muito tempo”.

As relações do presidente eleito dos EUA com Moscou têm passado por escrutínio nos últimos dias, após relatos não verificados de que a Rússia possuía informações comprometedoras sobre Trump. Esses relatos foram resumidos em uma relatório da inteligência dos EUA apresentado tanto para Trump quanto para Obama, neste mês. 

O relatório concluiu que a Rússia tentou influenciar o resultado das eleições norte-americanas de 8 de novembro a favor de Trump, utilizando ciberataques e outros meios. 

Trump acusou agências de inteligência dos EUA de vazarem informações de um dossiê não verificado, o qual ele chamou de “notícia falsa”. Líderes da comunidade de inteligência refutam essa ideia, ao passo que Moscou nega as acusações.

Reuters