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Presidente dos EUA, Donald Trump. 20/02/2017. REUTERS/Kevin Lamarque

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Por Ayesha Rascoe

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez sua primeira condenação pública a incidentes antissemitas nos EUA nesta terça-feira, na esteira de uma nova leva de ameaças de bomba a centros comunitários judeus de todo o país e de grandes atos de vandalismo em um cemitério judeu.

Vários dos centros foram esvaziados durante algum tempo na segunda-feira depois de receberem as ameaças, informou a Associação JCC da América do Norte. Vândalos ainda derrubaram dezenas de lápides do cemitério Chesed Shel Emeth Society em St. Louis, no Estado do Missouri, durante o final de semana.

    "As ameaças antissemitas visando nossa comunidade judia e centros comunitários são horríveis e são dolorosas e um lembrete muito triste do trabalho que ainda precisa ser feito para extirpar o ódio e o preconceito e o mal", disse Trump aos repórteres.

    Ele falava ao final de uma visita ao Museu Nacional de História e Cultura Afro-Americana em Washington, que disse mostrar "por que temos que combater a parcialidade, a intolerância e o ódio em todas as suas formas muito feias".

    Os comentários assinalaram uma mudança de Trump, que não repudiou explícita e publicamente as ameaças contra judeus quando indagado a seu respeito na semana passada. Ao invés disso, ele falou de maneira mais genérica sobre suas esperanças de tornar a nação menos "dividida".

    Sua filha Ivanka, que se converteu ao judaísmo e é uma das assessoras mais próximas de Trump, reagiu às ameaças mais recentes com uma mensagem postada em sua conta de Twitter na noite de segunda-feira.

    "A América é uma nação construída sobre o princípio da tolerância religiosa", escreveu. "Precisamos proteger nossas casas de louvor e centros religiosos."

    O presidente reagiu com raiva durante uma coletiva de imprensa da semana passada quando um jornalista de uma revista judia perguntou como seu governo planeja "lidar" com o aumento das ameaças.

    Trump repreendeu o repórter por fazer uma pergunta "muito insultante", aparentando acreditar que este o acusava pessoalmente de ser antissemita.

    "Em primeiro lugar, sou a pessoa menos antissemita que você já viu na sua vida inteira", disse o presidente, acrescentando que também é a menos racista. Trump ressaltou muitas vezes que sua filha é uma convertida ao judaísmo, que tem netos judeus e que emprega muitos judeus em seus negócios.

    Nesta terça-feira ele voltou a se negar a responder a uma pergunta sobre que ação irá adotar para tratar das ameaças a organizações judaicas.

    A retórica depreciativa de Trump contra muçulmanos e imigrantes mexicanos lhe rendeu o apoio entusiasmado de supremacistas brancos proeminentes que advogam ideologias contra judeus, negros e muçulmanos, e atraiu uma atenção maior da imprensa a grupos extremistas marginais. Trump rejeitou o endosso destes grupos.

    O Centro Anne Frank de Respeito Mútuo, sediado em Nova York, que vem criticando o governo Trump reiteradamente por causa do antissemitismo, disse que seus comentários foram tímidos demais e vieram tarde demais.

    "O reconhecimento súbito do presidente é um band-aid no câncer do antissemitismo que infectou sua própria gestão", afirmou Steven Goldstein, diretor-executivo do grupo, em um comunicado.

    Grupos judeus criticaram a Casa Branca por omitir qualquer menção a judeus em seu comunicado sobre o Dia do Memorial do Holocausto no mês passado, mas a Casa Branca disse que a omissão foi deliberada, já que os nazistas também mataram pessoas que não eram judias, ainda que em número menor.

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Reuters