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Trump durante entrevista na Casa Branca 9/6/2017 REUTERS/Jonathan Ernst

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Por Steve Holland

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, negou nesta sexta-feira acusações do ex-diretor do FBI James Comey de que teria tentado bloquear uma investigação sobre um ex-assessor de segurança nacional, acrescentando que está disposto a dar sua versão sobre os eventos sob juramento.

Perguntado por um repórter se havia pedido para Comey encerrar uma investigação do FBI sobre o ex-assessor sênior Michael Flynn, Trump disse: “Eu não disse isto”.

O repórter questionou em seguida: "Então ele mentiu sobre isso?"

"Bem, eu não disse isso. Quero dizer, vou dizer a vocês, eu não disse isso", replicou Trump. "E não haveria nada de errado se eu tivesse dito isso, de acordo com todo mundo que eu li hoje, mas eu não disse isso", acrescentou.

Comey, que foi demitido por Trump em maio, fez uma acusação grave sobre o presidente na quinta-feira em audiência no Congresso, na qual acusou Trump de tentar bloquear a investigação sobre Flynn. Comey também disse que Trump lhe pediu em janeiro para jurar lealdade ao presidente, um pedido incomum que colocaria em dúvida a independência do FBI.

    “Eu mal conheço o homem. Eu não vou dizer que quero que jure lealdade. Quem faria isto?”, disse Trump em entrevista coletiva conjunta no jardim de roseiras da Casa Branca com o presidente da Romênia, Klaus Iohannis.

    Perguntado se estaria disposto a dar suas versões das interações com Comey sob juramento, Trump respondeu: “100 por cento”.

    Ele disse que ficaria feliz em conversar com o conselheiro especial Robert Mueller, que está investigando acusações de que a Rússia interferiu na eleição presidencial norte-americana de 2016 e se envolveu com a campanha de Trump.

    “Eu ficaria contente em dizer a ele exatamente o que acabei de dizer a você”, disse Trump a um repórter.

    Na audiência no Congresso, Comey não expôs quaisquer ligações entre assessores de Trump e suposto envolvimento russo.

    Ele testemunhou que Trump disse a ele em 26 de janeiro que esperava lealdade do diretor do FBI e que no mês seguinte insistiu que derrubasse a investigação sobre Flynn, o ex-assessor de segurança nacional do presidente.

    Trump escreveu mais cedo nesta sexta-feira em publicação no Twitter que o ex-diretor do FBI havia o justificado ao dizer para o Comitê de Inteligência do Senado que o presidente não estava pessoalmente sob investigação no inquérito sobre a Rússia.

    Com uma única publicação, Trump também criticou Comey por ter exposto um conteúdo de sua conversa com o presidente para um advogado que compartilhou com veículos da mídia.

    “Apesar de tantas afirmações falsas e mentiras, total e completa vindicação... e WOW, Comey é um vazador”, escreveu Trump no Twitter em seus primeiros comentários desde a audiência de Comey.

    Trump não chegou a dizer que Comey mentiu sob juramento.

    O testemunho de Comey deu força a acusações de críticos de que as ações de Trump em torno da investigação sobre a Rússia podem ter chegado a ser obstrução da justiça.

(Reportagem adicional de Susan Cornwell, Roberta Rampton, Alison Frankel e Tony Lin)

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