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Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. 31/03/2017 REUTERS/Jonathan Ernst

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(Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, cogitou no domingo a possibilidade de usar o comércio como ferramenta para garantir a cooperação da China contra a Coreia do Norte, e insinuou que os EUA poderiam lidar por conta própria com os programas de míssil e nuclear de Pyongyang, caso necessário.

Os comentários, feitos em uma entrevista publicada no domingo no jornal Financial Times, pareceram ter como objetivo pressionar o presidente chinês, Xi Jinping, antes de sua visita a Trump no resort Mar-a-Lago, na Flórida, nesta semana.

"A China tem grande influência sobre a Coreia do Norte. E a China ou irá decidir nos ajudar com a Coreia do Norte ou não irá. E se eles o fizerem isso será muito bom para a China, e se não o fizerem não será bom para ninguém", disse Trump, de acordo com uma transcrição editada publicada pelo jornal.

Indagado sobre que incentivo os EUA têm a oferecer à China, Trump respondeu: "O comércio é o incentivo. Tudo diz respeito ao comércio".

Perguntado se cogitaria uma "grande barganha" com a qual Pequim pressionaria Pyongyang em troca de uma garantia de que mais tarde Washington retiraria tropas da península coreana, Trump teria dito ao diário: "Bem, se a China não for resolver a Coreia do Norte, nós o faremos. É tudo que digo a você".

Não ficou claro se os comentários de Trump irão sensibilizar a China, que adotou medidas para aumentar a pressão econômica sobre Pyongyang, mas não tem se mostrado disposta a fazer nada que possa desestabilizar o Norte e provocar uma debandada de milhões de refugiados através de sua fronteira.

Tampouco ficou claro o que os EUA poderiam fazer por conta própria para impedir que o regime recluso amplie sua tecnologia nuclear e desenvolva mísseis de alcance cada vez maior e a capacidade de lançar ogivas atômicas.

Os assessores de segurança nacional de Trump finalizaram uma análise das opções norte-americanas para tentar conter os programas de míssil e nuclear da Coreia do Norte que inclui medidas econômicas e militares, mas se inclina mais a sanções e a uma pressão maior para que Pequim contenha seu vizinho, disse uma autoridade dos EUA.

Embora a opção de ataques militares preventivos aos norte-coreanos não esteja descartada, a análise prioriza passos menos arriscados e "tira a ênfase na ação militar direta", acrescentou o funcionário, dizendo que não se soube de imediato se as recomendações do Conselho de Segurança Nacional chegaram a Trump.

A Casa Branca não quis comentar as recomendações.

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