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Por Doina Chiacu e Steve Holland

WASHINGTON (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump reagiu neste domingo às críticas internacionais crescentes, revolta de ativistas de direitos civis e recursos judiciais à sua ordem abrupta de suspender a chegada de refugiados e pessoas de sete países de maioria muçulmana.

Em sua mais ampla ação desde que assumiu a Presidência em 20 de janeiro, o republicano adotou na sexta-feira uma suspensão de 120 dias à entrada de refugiados ao país, baniu indefinidamente refugiados da Síria e proibiu por 90 dias cidadãos do Irã, Iraque, Líbia, Somália, Sudão, Síria e Iêmen.

Nosso país precisa de fronteiras fortalecidas e processos extremos de vetos, AGORA. Olhe o que está acontecendo em toda a Europa e, na verdade, do mundo - uma horrível bagunça!", escreveu Trump no Twitter neste domingo.

"Cristãos no Oriente Médio têm sido executados em altos números. Não podemos permitir que esse horror continue!", acrescentou Trump, que apresentou a política como uma maneira de proteger norte-americanos da ameaça de militantes islâmicos.

Grupos religiosos e de direitos de civis, ativistas e políticos democratas prometeram lutar contra a ordem, que causou caos e confusão para viajantes afetados e motivou protestos em vários aeroportos norte-americanos ao longo do sábado.

O líder da maioria no Senado, Mitch McConnell, um republicano, expressou críticas veladas. Falando ao programa "This Week", da ABC, disse que é uma boa ideia apertar o cerco ao processo de entrada de imigrantes, mas que "é importante lembrar que algumas das nossas melhores fontes na guerra contra o terrorismo radical islâmico são os muçulmanos, tanto no nosso país quanto em outros... Precisamos ter cuidado ao fazer isso".

Um colega republicano no Senado, John McCain, foi mais crítico, dizendo que o decreto foi um processo confuso e poderia dar ao Estado Islâmico material para propaganda.

Outros países condenaram a ordem, inclusive aliados tradicionais dos Estados Unidos. 

Na Alemanha - que recebeu muitas pessoas fugindo da guerra civil da Síria - a chanceler Angela Merkel disse que a luta global contra o terrorismo não é desculpa para as medidas e "não justifica colocar pessoas de um passado ou de uma fé específicos sob suspeita geral", disse seu porta-voz.

Um juiz federal do Brooklyn, em Nova York, concedeu um adiamento temporário no fim do último sábado. A União Americana de Liberdades Civis (ACLU, na sigla em inglês), representando dois iraquianos pegos pelo decreto enquanto voavam para o país, defendeu com sucesso uma permanência temporária que permitiu aos viajantes ficarem nos EUA.

A ação da corte não reverteu o decreto de Trump, mas impediu que aqueles que tiveram a entrada ao país negada fossem deportados. Anthony Romero, diretor-executivo da ACLU, previu em entrevista com a CNN no domingo que o caso poderia acabar na Suprema Corte.

Separadamente, um grupo de promotores estaduais discutiam se entrariam com suas próprias petições contra o decreto de Trump, disseram autoridades de três Estados à Reuters. Outros grupos estão de olho em um recurso constitucional com base em discriminação religiosa.

Trump, empresário de sucesso que explorou com sucesso o medo dos norte-americanos em relação a ataques de militantes islâmicos durante a campanha, prometeu o que ele chamou de "processo extremo de veto" a imigrantes e refugiados de áreas que a Casa Branca e o Congresso consideram de alto risco.

O Departamento de Segurança Interna disse que por volta de 375 viajantes foram afetados pelo decreto, 109 dos quais estavam em trânsito e tiveram a entrada nos EUA negada. Outros 173 foram barrados pelas companhias aéreas antes de entrar no avião.

O decreto "afeta uma porção mínima de passageiros internacionais", disse o departamento em um comunicado, dizendo que a medida foi "inconveniente" para menos de 1 por cento das chegadas diárias de estrangeiros aos aeroportos americanos.

((Tradução Redação São Paulo, 55 11 5644 7729)) REUTERS CMO 

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