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Homem suspeito de ser o autor de ataque em boate de Istambul, em imagem divulgada pela polícia turca. em 03/01/2017 Agência Dogan via REUTERS

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Por Nick Tattersall e Daren Butler

ISTAMBUL (Reuters) - A Turquia estabeleceu a identidade do atirador que matou 39 pessoas em um ataque a uma boate de Istambul na noite de Ano Novo, disse o ministro das Relações Exteriores do país, e novas prisões foram feitas nesta quarta-feira, mas o autor do ataque continua foragido.

O atirador matou um policial e um civil na entrada da famosa boate Reina no domingo, e então abriu fogo com um fuzil no interior do local, recarregando sua arma meia dúzia de vezes e atirando naqueles que estavam feridos no chão.

O Estado Islâmico reivindicou a responsabilidade pelo ataque, dizendo ter sido uma revanche pelo envolvimento militar da Turquia na Síria.

"A identidade da pessoa que realizou o ataque em Ortakoy foi determinada", disse o ministro turco das Relações Exteriores, Mevlut Cavusoglu, em entrevista transmitida pela TV com a agência de notícias estatal Anadolu. Ele não deu detalhes.

Segundo imprensa turca, acredita-se que o agressor seja da etnia uigur, possivelmente o Quirguistão. 

O massacre no bairro de Ortakoy, em Istambul, um distrito afluente à margem do Bósforo, aconteceu após um ano em que a Turquia, que faz parte da aliança militar da Otan, foi abalada por uma série de ataques radicais islâmicos e de militantes curdos, além de um fracassado golpe de Estado.

O Parlamento aprovou a extensão por mais três meses do estado de emergência, imposto inicialmente após a fracassada tentativa de golpe de Estado, permitindo ao governo editar novas leis e limitar ou suspender direitos e liberdades quando considerar necessário.

O presidente Tayyip Erdogan disse que o ataque contra a popular boate, com presença de celebridades locais e estrangeiros endinheirados, estava sendo explorado para tentar dividir a nação de maioria muçulmana, e acrescentou que o Estado nunca se intrometeu no estilo de vida das pessoas.

“Não existe motivo para tentar culpar o atentado de Ortakoy sobre as diferenças nos estilos de vida”, disse ele em um discurso no palácio presidencial em Ancara. “O estilo de vida de ninguém está sob ameaça sistemática na Turquia. Nós nunca permitiremos isso”, disse ele. Este foi o primeiro discurso público do presidente desde o atentado. 

Uma fonte de segurança e um jornal turco disseram na terça-feira que o atirador parece ser conhecedor de táticas de guerrilha e pode ter treinado na Síria.

O jornal Haberturk disse que investigações da polícia revelaram que o atirador havia entrado na Turquia vindo da Síria, dirigindo-se para a cidade de Konya, centro do país, em novembro, viajando com sua mulher e dois filhos para não atrair suspeitas.

Na quarta-feira, a polícia da cidade de Izmir deteve 27 pessoas que haviam chegado de Konya, citando ligações suspeitas com o ataque, de acordo com a agência de notícias Dogan. Entre os presos estavam mulheres e crianças. 

Sete turcos da etnia uigur também foram detidos em um restaurante na vizinhança de Zeytinburnu, em Istambul, onde acredita-se que o atirador tenha ido de táxi após o ataque e pedido dinheiro emprestado para pagar o motorista, disse o jornal Haberturk.

Segundo o jornal, a polícia realizou batidas em 50 endereços no distrito, onde muitos usbeques, cazaques e uigures vivem, prendendo 14 pessoas no total. 

Reuters