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Por Kate Kelland
LONDRES (Reuters) - O uso exagerado de antibióticos na Europa está produzindo resistência e ameaçando interromper tratamentos médicos vitais, como transplantes, cuidado intensivo para bebês prematuros e terapias contra o câncer, dizem especialistas em saúde.
Dominique Monnet, da unidade de aconselhamento científico do Centro Europeu de Prevenção e Controle de Doenças (ECDC, na sigla em inglês), disse que "toda a medicina moderna" está sob ameaça porque os microorganismos estão se tornando resistentes aos antibióticos, deixando as drogas sem serventia.
"Se essa onda de resistência a antibióticos nos vencer, não seremos capazes de realizar transplantes, artroplastias de quadril, quimioterapia e cuidados intensivo e neonatal para bebês prematuros", disse ele a jornalistas em entrevista.
Os antibióticos são necessários em todos esses tratamentos a fim de evitar infecção bacteriana. As bactérias resistentes às drogas, no entanto, são um problema crescente em hospitais marcado pelo aumento das superbactérias como a Staphylococcus aureus, resistente à meticilina (MRSA).
Além dos riscos aos tratamentos no futuro, Monnet afirmou que os custos da resistência aos antibióticos já são altos - e poderão atingir de forma ainda mais dura os orçamentos dos sistemas de saúde de toda a União Europeia, caso não se resolva o problema.
As seis bactérias resistentes a antibióticos mais comuns -- em geral chamadas de superbactérias -- causam cerca de 400.000 infecções por ano na Europa, matando por volta de 25.000 pessoas e consumindo 2,5 milhões de diárias hospitalares por ano.
O ECDC, que monitora e orienta sobre doenças na UE, calcula que, com o dia de internação custando em média 366 euros (548 dólares), as infecções por superbactérias já consomem 900 milhões de euros por ano em custos hospitalares adicionais e outros 600 milhões de euros por ano em perda de produtividade.
"Por toda a União Europeia o número de pacientes infectados por bactérias resistentes aumenta e a resistência a antibióticos é uma grande ameaça à saúde pública", disse o ECDC.
O governo britânico foi criticado por um comitê parlamentar na terça-feira por não conseguir combater a maioria das infecções hospitalares ao concentrar seu foco em duas infecções principais - MRSA e Clostridium difficile.
O ECDC planeja fazer uma campanha sobre o uso de antibióticos no dia 18 de novembro, para pedir que os médicos parem de prescrever antibióticos em demasia.
Os pacientes que exigem antibióticos para infecções virais em geral não sabem que eles não funcionam para isso, disse o centro, mas os médicos sim, e deveriam parar de ceder à pressão.
Sarah Earnshaw, da unidade de comunicações do ECDC, ressaltou que uma pesquisa feita em 2002 indicou que 60 por cento dos pacientes não sabem que os antibióticos não funcionam contra vírus de gripes e resfriados.
"Os pacientes em geral exigem antibióticos," afirmou ela. "E os médicos pensam que receitá-los é uma forma mais rápida de lidar com pacientes exigentes em vez de convencê-los do contrário".

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Reuters