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Policial venezuelano Óscar Pérez em Caracas. 01/03/2015 REUTERS/Christian Veron

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Por Andrew Cawthorne e Brian Ellsworth

CARACAS (Reuters) - O governo da Venezuela está à procura nesta quarta-feira de um policial rebelado que atacou os prédios do Supremo Tribunal e do Ministério do Interior com um helicóptero, mas críticos do presidente Nicolás Maduro suspeitam que a operação pode ter sido manipulada para justificar a repressão.

Em cenas inacreditáveis testemunhadas no céu de Caracas perto do pôr do sol de terça-feira, o helicóptero roubado fez disparos contra o Ministério do Interior e soltou granadas sobre a Suprema Corte, ambos vistos pela oposição venezuelana como bastiões de apoio ao ditador.

Ninguém se feriu nos ataques e a aeronave escapou.

Autoridades disseram que forças especiais procuram Óscar Pérez, piloto da polícia identificado como o mentor da operação de helicóptero que exibiu uma faixa dizendo "Liberdade!".

Em 2015, Pérez coproduziu e estrelou "Morte Suspensa", filme de ação baseado em fatos reais no qual interpretou o papel de um agente do governo que resgata um empresário sequestrado.

Não havia sinal de Pérez nesta quarta-feira, embora fontes policiais tenham dito que o helicóptero foi abandonado em Higuerote, no litoral caribenho.

O ataque aumentou uma crise política já intensa no país depois de três meses de protestos da oposição exigindo eleições gerais e solução para a economia declinante.

Ao menos 75 pessoas morreram desde abril, e centenas mais foram presas em meio ao que Maduro classifica como uma tentativa de golpe em andamento com estímulo dos Estados Unidos.

"É um ataque terrorista que é parte de uma ofensiva insurrecional de extremistas venezuelanos de direita com apoio de governos e potências do exterior", disse um comunicado do governo sobre a operação de helicóptero.

O ataque alimentou uma teoria conspiratória de apoiadores da oposição segundo a qual pode ter se tratado de uma encenação governamental para ofuscar outros dramas da terça-feira, entre eles um cerco a parlamentares opositores na Assembleia Nacional.

A façanha aérea também coincidiu com uma medida judicial que enfraqueceu os poderes da procuradora-chefe dissidente Luisa Ortega, que emergiu como uma grande contestadora de Maduro.

Caracas acusou o policial de ter laços com a CIA e com Miguel Rodríguez, ex-ministro do Interior e chefe de inteligência de Maduro e de seu antecessor, Hugo Chávez, que rompeu com o governo recentemente.

"Não estou nada convencido pelo incidente de helicóptero", disse Rodríguez à Reuters nesta quarta-feira. "Quem ganha com isso? Só Nicolás, por duas razões: dar credibilidade à sua conversa de golpe de Estado e culpar Rodríguez", acrescentou, referindo-se a si mesmo.

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Reuters