Reuters internacional

Por Lacey Johnson e Ian Simpson

WASHINGTON (Reuters) - Manifestantes marcharam neste sábado em Washington pelo segundo dia consecutivo contra a política ambiental do presidente norte-americano, Donald Trump, pedindo para que ele apoie iniciativas realizadas pelo seu antecessor para interromper as mudanças climáticas.

    Milhares de pessoas se aglomeraram para a passeata do gramado do Capitólio até a Casa Branca, um evento que coincide com o centésimo dia de Trump no poder, e o fim da tradicional “lua de mel” para um novo presidente.

    A Marcha do Povo pelo Clima, que reuniu cerca de 15 mil pessoas, de acordo com estimativa de um repórter da Reuters, rivalizou em termos de tamanho com a Marcha da Ciência, na semana passada. Manifestantes encamparam muitas pautas em comum nos dois eventos.

    Carregando placas com slogans como “Imagine um mundo livre das mudanças climáticas” e “Planeta acima do lucro”, manifestantes afirmaram estar indignados com as perspectivas de que Trump cumpra a promessa de retirar proteções climáticas colocadas por seus antecessores.

    “Vamos nos levantar e deixá-los saber que estamos cansados de ver nossas crianças com asma”, afirmou o reverendo Leo Woodberry, de Florence, na Carolina do Sul, durante coletiva de imprensa antes da passeata. “Estamos cansados de ver pessoas com câncer por causa das cinzas de carvão. Estamos cansados de ver o aumento do nível dos oceanos.”

    O governo Trump considera a possibilidade de se retirar do Acordo de Paris, assinado por mais de 190 países, incluindo os EUA, e que tem como objetivo conter o aquecimento global. Trump também prometeu cortar o orçamento da Agência de Proteção Ambiental.

    Durante a campanha, Trump classificou as mudanças climáticas como uma fraude. No mês passado, ele cumpriu uma promessa de campanha para a indústria carvoeira ao retirar regras impostas pelo antecessor, Barack Obama.

    O evento em Washington ocorre após uma entrevista de Trump dada à Reuters, em que ele refletiu as diferenças entre ser um bilionário do setor imobiliário e presidente: “Tem mais trabalho que na minha vida anterior. Pensei que seria mais fácil”.

    A marcha deste sábado faz parte de um esforço para eleger candidatos com afinidade à causa ambiental nas eleições intermediárias do próximo ano e na eleição presidencial de 2020, disseram os organizadores.

    Ativistas do meio ambiente creem que possuem o apoio da opinião pública. Uma pesquisa Gallup mostrou neste mês que 59 por cento dos norte-americanos concordam que a proteção ambiental deveria ser prioritária sobre a crescente produção energética dos EUA.

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