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Revista de Imprensa Macron é presidente da renovação?

Entre esperanças e dúvidas, os editorialistas da imprensa suíça se questionam hoje se o novo presidente Emmanuel Macron vai realmente poder mudar o jogo político francês. Em contrapartida, eles são unânimes em saudar a derrota de Marine Le Pen, candidata de uma extrema-direita que não ousa mais pronunciar seu nome.



Emmanuel Macron face à ses partisans dimanche soir dans le cour du Louvre.

Emmanuel Macron face à ses partisans dimanche soir dans le cour du Louvre.

(Copyright 2017 The Associated Press. All rights reserved.)

“Emmanuel Macron, presidente nem de esquerda nem de direita, anulou as referências tradicionais do combate político na França”, escreve o ‘Tribune de Genève’. O combate eleitoral “deixou para trás essa espécie de nomenclatura que há décadas detinha o poder, mais preocupada com seus próprios interesses do que os da maioria dos franceses”, acrescenta o jornal.

Constatação similar no Berner Zeitung, da capital suíça, afirmando que esse presidente de 39 anos é um fenômeno “totalmente inédito em um país que foi dirigido por reis e imperadores, generais e chefes de Estado experientes como Chirac e Mitterrand”.

Também para o ‘24 Heures’, de Lausanne, esse jovem presidente que conseguiu em alguns meses o que outros levavam praticamente uma vida para chegar, encarna “uma nova geração em um país onde a paisagem política parecia paralisada”. E ele traz em sua bagagem pistas “mais ou menos radicais” de mudança.

Um banqueiro, sim e daí?

Então a França elegeu um banqueiro presidente. Um financeiro “social-liberal” Para o jornal econômico Agefi “é uma excelente notícia Emmanuel Macron conhece o mundo real. Ao contrário da classe política francesa que tenta destruí-lo há 18 meses. Ele conhece as empresas, sejam francesas, europeias ou suíças”.

Para o diário de economia, portanto, “Macron é o homem que a França precisa. Nem de direita, nem de esquerda, apenas liberal. Porque os empresários não precisam de eleitos de direita. A direita estatizante e nacionalista, por exemplo, é um obstáculo para um empresário”.

Menos entusiasta, o Basler Zeitung, de Basileia, se questiona como descrever o novo ocupante do cargo. “Estudante modelo, pequeno gênio, OVNI político? Ou, de maneira menos reverenciosa bebê de Hollande?” Para o diário conservador, não há dúvida que o novo eleito “seria mais comparável aos modelos Kennedy ou Obama”. Resta que “seus compatriotas não têm todos a mesma imagem dele” e que, no estrangeiro, ele ainda passa amplamente como “uma página branca”.

Presidente menos pior

Resta que essa eleição teve a maior taxa de abstenção e de votos e brancos e nulos da história da Quinta República. O que, segundo a fórmula do La Liberté de Friburgo, faz de Emmanuel Mcron um “presidente menos pior” e que deve seu sucesso ao “impedimento sucessivo de todos os seus rivais potenciais, à direita como à esquerda”..

Também há dúvidas no ‘Corriere del Ticino’, que vê Emmanuel Macron confrontado “ao risco que ameaça a todos os que se apresentam com a novidade do momento: o da concretização. O risco de ver as mudanças anunciadas se tornarem vagas promessas, os problemas de numerosos franceses continuarem, que as esperanças cedam lugar às desilusões e o país reste paralisado nas velhas dinâmicas internas, muito pouco produtivas”.

Para o ‘Neue Zürcher Zeitung’, de Zurique, mesmo se “a razão triunfou no país de Descartes”, o novo eleito será “um presidente fraco por razões pessoais e institucionais”.

Legislativas – ganhar ainda o terceiro turno 

De fato, explica o ‘Le Temps’, a Quinta República deixa pouca chance a um chefe de Estado sem maioria na Assembleia Nacional”. O jornal questiona “qual dinâmica Emmanuel Macron vai aplicar em um país em estado de urgência para ganhar cadeiras nas legislativas? Suas primeiras decisões nos próximos dias serão decisivas, especialmente a nomeação de seu primeiro ministro”.

Por isso, será preciso ganhar as legislativas de junho, verdadeiro terceiro turno da eleição. Para o ‘24 Heures’, a coerência seria dar a esse partido um parlamento que lhe permita realmente de ser ‘En Marche!’ sobre as duas pernas. Senão, a experiência Macron, como foi o caso de Obama, só poderá causar novas frustações”.

"O pior foi evitado"

A vitória de Emmanuel Macron, é também a derrota de Marine Le Pen. Quinze anos depois de seu pai, a candidata da Frente Nacional conseguiu dobrar o eleitorado de seu partido, mas “o terceiro golpe de Estado populista, depois do Brexit e da eleição de Donald Trump, não aconteceu, destaca o ‘Berner Zeitung’. E felizmente, porque para o diário de Berna é simplesmente “inimaginável pensar o que ocorreria se Marine Le Pen fosse eleita, em Paris mas também em Bruxelas, na restaria em pé”.

Para o 24 Heures, a FN “mais uma vez provou que não tinha nem candidato presidenciável nem programa credível. Ele inclusive provocou medo a uma parte da direita conservadora. A má campanha entre os dois turnos de Marine Le Pen poderia marcar o início de uma nova guerra clãs dentro do partido”.

“O pior foi evitado, o choque fracassou. A extrema-direita xenófoba e raivosa não chegou à presidência da França, nação de cultura e potência econômica”, afirma o ‘Blick’ de Zurique. Mas se a derrota de Marine Le Pen é “um alívio para a Europa, o nacionalismo extremo, autoritário, mesmo sob uma aparência feminina, resta forte”, adverte o jornal popular de Zurique.

O ‘St. Galler Tagblatt‘ também saúda a derrota do populismo de direita “que fracassa na França como havia fracassado na presidencial austríaca e nas legislativas da Holanda.". Para o diário da Suíça Oriental, é preciso agora esperar que na Alemanha o AfD “será ele também derrotado nas legislativas do outono próximo”.  E aqui, “a receita é simples: é preciso que todos os que defendem uma sociedade aberta e um Estado de direito democrático façam ouvir suas vozes até dentro das urnas”.


Adaptação: Claudinê Gonçalves, swissinfo.ch

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