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Ricardo

Cobrador e defensor virtuoso de pênaltis. Keystone

Guarda-redes que defende, mas também costuma cobrar pênaltis, Ricardo tem lugar cativo no gol da seleção portuguesa. Para indignação da torcida do Benfica, que pede Quim.

Este conteúdo foi publicado em 20. março 2008 - 11:49

Na seleção portuguesa, ele é o dono indiscutível da camisa número 1, pelo menos enquanto Luiz Felipe Scolari for técnico. Nos seus tempos de Sporting, carregava a número 76, que marcava o ano de seu nascimento, em 11 de fevereiro, em Montijo.

A história de Ricardo Alexandre Martins Soares Pereira é a de um goleiro que tem os ingredientes para ser um herói popular, uma figura enigmática do futebol com suas facetas trágicas.

É a trajetória de um homem oriundo de uma família humilde da província de Setúbal, que começou a carreira no CD Montijo, ganhou seus primeiros trocados no Boavista (do Porto), admirava o grande Benfica na juventude e se tornaria goleiro do Sporting. Desde 2007 está no Bétis Sevilla (Espanha).

Torcida não perdoa



Ele levou tempo para se impor na seleção e ainda persegue seu primeiro grande triunfo. Em apenas 11 meses, esteve no centro das atenções do futebol mundial. Em julho de 2004, na final da Eurocopa, e em maio de 2005, na final da Copa da Uefa. Ele perdeu as duas partidas e teve pelo menos parte da culpa.

As atuais críticas a Ricardo, que na recente derrota de Portugal por 3 a 1 para a Itália, em Zurique, não fez boa figura, lembram a sina dos goleiros que não são perdoados, muito bem descrita pelo escritor uruguaio Eduardo Galeano no livro A bola é redonda e os gols espreitam em toda parte.

"Os demais jogadores podem cometer erros crassos, mas se purificam novamente com um drible espetacular, um passe magistral, um chute preciso. Com uma única falha, o goleiro perde o jogo ou até o campeonato, e então o público esquece todas as defesas espetaculares do passado e o condena à maldição eterna", escreve Galeano.

Herói ou vilão



Nas quartas-de-final da Eurocopa 2004, Ricardo ainda tinha sido o herói. Defendeu e cobrou os pênaltis decisivos contra a Inglaterra, levando Portugal às semifinais. A Bola, principal jornal esportivo do país, sentenciou: "Ele é um especialista em duplo sentido nos pênaltis: defende, e cobra ainda melhor."

"Herói é uma palavra muito forte", disse Ricardo em 2001, quando o Boavista conquistou seu primeiro título português. Mas exatamente essa palavra foi usada para classificar o goleiro português novamente na Copa 2006.

Numa reedição do confronto de 2004, Portugal eliminou a Inglaterra nas quartas-de-final do Mundial na Alemanha. Ricardo defendeu três pênaltis dos ingleses, um recorde para um goleiro na história das Copas.

Ricardo ou Quim?

Um "ato heróico" que consolidou ainda mais a confiança depositada nele por Scolari. Sob o comando de seu antecessor, Antonio Oliveira, Ricardo estreou na seleção em 2000, mas ficou no banco – atrás de Vitor Baía – na Copa 2002.

Apesar da pressão que vem sendo feita sobre Felipão para que dê uma chance a Quim, do Benfica, o técnico brasileiro não sinaliza qualquer troca no gol. "Ricardo tem sido dono e senhor do lugar na selecção nacional, independentemente dos erros que comete", comenta o blog Rola a Bola.

Calejado por duros golpes, aos 32 anos, o goleiro do Bétis – onde tem contrato até 2011 – nem pensa em pendurar as chuteiras. Em entrevista ao jornal A Bola, revelou que planeja jogar até os 40 anos. "A longevidade de um guarda-redes é sempre maior que a do restante dos jogadores", disse.

swissinfo, Geraldo Hoffmann

Ficha técnica

Ricardo Alexandre Martins Soares Pereira nasceu em 11 de fevereiro de 1976, em Montijo.

Clubes
1993–1994: CD Montijo
1994–2003: Boavista FC
2003–2007: Sporting Portugal
Desde 2007: Bétis Sevilla

Títulos
Campeão português (2001)
Vice-campeão europeu (2004)
Vice-campeão da Copa da Uefa (2005)
Taça de Portugal (2007)
Supercopa de Portugal (2007)

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