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Salão do Livro de Genebra completa 20 anos

A Argélia é o país convidado para o Salão este ano.

(swissinfo.ch)

Até 1° de maio, realiza-se em Genebra o Salão Internacional do Livro e da Imprensa que deve ser visitado por mais de 100 mil pessoas.

A gigantesca feira é considerada o maior envento cultural do país e inclui várias manifestações paralelas, como Europ'Art e uma exposição reunindo mais de cem litografias de Marc Chagall...

Os anos passam – lá se vão 20 anos que ele foi instituído – o Salão do Livro já tem seu espaço reservado na agenda de dezenas de milhares de suíços. E quando o (mau) tempo ajuda, como neste ano, o número de visitantes pode chegar a 130 mil, cifra que segundo o diretor do Salão, Pierre-Marcel Favre, é pouco inferior à do Salão de Paris.

Se o espaço reservado aos livros diminuiu parcialmente – em função justamente de abertura a eventos paralelos – essa feira do livro ainda reúne 300 expositores, com os estandes se enfileirando por ruelas com nomes evocativos – Balzac, Dostoievski, Joyce, Goethe... E o público continua afluindo, mesmo num mundo em que a imagem conquista cada vez mais terreno.

"Um paraíso"

Mas afinal, o que atrai tanta gente ao Salão? Quando é questionado a esse respeito, a reação do visitante não varia muito. Vai da simples curiosidade, da vontade de conhecer, de se espairecer ou mudar de idéias à busca de novidades, de escolha porque a oferta é incomparável com relação a das livrarias. E mesmol do prazer de tocar o livro.

Ou melhor, de tocar os livros, no plural; manuseá-los à vontade. Diante de tanta profusão de obras que aprecia tanto, uma das visitantes disse "se sentir no paraíso".

Há os que chegam ao Salão do Livro pelos eventos paralelos, através, por exemplo, das dezenas de galerias internacionais da Europ'Art que completa 15 anos de existência.

Mas é a feira do livro que constitui "a coluna vertebral dessa festa cultural", como a descreve, com certo orgulho, o patrão do evento, Pierre-Marcel Favre.

Para muitos profissionais do ramo, o livro não passa de uma mercadoria como outra qualquer. Para as pessoas apaixonadas por cultura, por conhecimentos e descobertas, é um objeto de respeito, de quase veneração. Em todo o caso, uma fonte de prazer e de enriquecimento.

Se a função do livro é questionável, não se discute (ainda) sua importância com "bem cultural" de peso.

Função de trampolim

Uma das exposições incorporada ao evento – intitulada Suíça Romanda: terra do livro – vem recordar a estima em que os suíços, em particular os de expressão francesa têm o impresso: "No mundo de língua francesa, afirma-se, a Suíça Romanda (cerca de 1 milhão de habitantes) é a região onde se publica e se lê o maior número de livros".

Outro motivo de orgulho – esperemos que não seja de vanglória – na área científica, na mesma região, situada no oeste e sudoeste da Suíça, "o número de publicações especializadas é, per capita, o mais elevado do mundo".

Não menos interessante é a observação de que há cerca de um século "é a região em que a literatura francófona penetra na França". É, em todo caso, uma boa notícia para o 'Salão Africano do Livro', integrado ao Salão de Genebra e já em sua terceira edição.

Boa notícia também para a Argélia, país convidado de honra este ano, como o Brasil o foi em 2002 e Portugal um ano antes.

Receita de sobrevivência

Convidados estrangeiros são um sinal de abertura num Salão – apresentado como "o maior evento cultural da Suíça" – que dá, por vezes, impressão de cultivar um caráter um tanto paroquial, embora o patrão dessa feira genebrina pareça ter encontrado uma fórmula mágica para manter vivo seu bebê, quando eventos similares têm fracassado.

O Salão não é apenas "do livro", como também "da imprensa". Associa convidados de honra – um país e uma região – e, neste ano, a exposição Chagall et la femme (Chagall e a mulher); associa setores das artes plásticas, dispõe de um espaço música, propõe exposições diversas, como Swiss Press Photo 2005, além de atividades de entretenimento ao lado debates muito sérios.

A propósito, o "Village alternatif" (vilarejo alternativo) já faz parte integrante do Salão, pois realiza-se pela 16a.vez. Qualifica-se de "alternativo" porque adota, em diversos domínios, uma posição independente em relação a tendências dominantes. Pode ter como objetivo, por exemplo, "apoiar a mulher iraquiana" ou ocupar-se da complicada conciliação entre transporte e meio ambiente.

Essa "aldeia alternativa" não passa geralmente de uma boa vitrine para diferentes ONGs. Organizações que não deixam de contribuir para debates de temas preocupantes da atualidade, como, neste ano, o da energia, assim formulado: "Penúria energética – Fonte de conflitos"?

Levantam-se questões fundamentais como: que fontes de energia privilegiar? Que soluções para o futuro? Aonde pode levar o crescente ritmo de consumo de petróleo e de energia nuclear? Quem controla tais energias? Que conflitos possíveis estão imbutidos na dependência energética? E por aí vai.

Mais espaço para vedetismo

O "Village", como os outros eventos paralelos, é, então, desdobramento do evento principal, organizado em torno do livro.

Resta que o Salão Internacional do Livro e da Imprensa talvez não escape à uma tendência palpável na sociedade, a de promover o vedetismo. São, aliás, os 'escritores-vedetes' que atraem muito público. Não são necessariamente os melhores, embora todos mereçam seus lugares.

Em 2002, havia no Salão enorme fila para Paulo Coelho. Na questão de criar vedetes, a mídia deve também bater o mea culpa. Sem a mídia, obviamente ninguém seria conhecido.

Quanto a isto, um parênteses para assinalar que suplemento especial sobre o evento genebrino, publicado pela revista suíça Hebdo anunciava nestes dias "as

estrelas

argelinas no Salão. Fala de "estrelas" em relação a escritores, podendo transmitir uma noção de superficialidade que provavelmente não têm.

É verdade que os profissionais do livro constatam serem os livros leves, de bom suspense, destinado ao grande público – caso do Código Da Vinci – que fazem maior sucesso.

Patrice Fehlmann, diretor do segundo maior da empresa OLF –segundo maior atacadista de livros na Suíça, depois de Buchzentrum, em Olten, perto de Zurique, e n° 1 na distribuição de livros em inglês – fala de "bestsellerização" do livro, vendo no grande público uma tábua de salvação do ramo. Quanto ao futuro do livro, estima que "ninguém se aventura a emitir opinião abalizada".

Pode-se questionar se vai evoluir para algo melhor...

swissinfo, J.Gabriel Barbosa, de Genebra

Fatos

O Salão do Livro de Genebra existe desde 1987. Parece ter encontrado a boa fórmula de sobrevivência num mundo que se volta cada vez mais para a imagem e encontra crescente concorrência da Internet.
Todos os anos há um país convidado. Neste ano é a Argélia. Em 2002 foi o Brasil e um ano antes, Portugal.
O Salão Africano foi incorporado ao evento em 2004. Está, portanto, em sua 3a. edição.
A feira paralela da Arte, Europ'art, realiza-se pelo 15° ano consecutivo.
O Salão do Livro de Genebra vem exercendo uma função de trampolim, pois através dele muitos livros estrangeiros penetram na França.

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Breves

Os livros de sucessos do momento, em inglês, na Suíça são, pela ordem:
The Da Vinci Code, de Dan Brown; The Broker, de John Grisham; Never let me go, de Ishiguro; The World is flat, de Thomas Friedman e Saturday, de Ian McEwan, segundo informa Andrea Barthel, executiva de vendas, de OLF, atacadista de livros de Friburgo.

Barthel lembra que nos últimos anos se nota uma tendência de traduzir obras estrangeiras para o inglês, especialmente na Inglaterra. Isto se nota nos bestsellers franceses, na Suíça e na França: Deception Point, de Dan Brown; La Touche étoile, de Benoîte Groult; Sans Raison, de Patricia Cornwell; Innocent, de Harlan Coben; Retour du professeur de danse, de Henning Mankell (Fonte: Livres Hebdo).

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