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Satélites instrumentos para paz

Satélites têm papel civil e militar. www.eoc.nasda.go.jp

Satélites são instrumentos para fazer guerra. Conferência em Genebra revela que a tecnologia espacial pode ser chave para construir a paz.

Este conteúdo foi publicado em 19. dezembro 2001 - 14:07

Como demonstra o atual conflito no Afeganistão, os satélites desempenham papel fundamental na detecção do inimigo e na orientação dos mísseis.

Dados fornecidos pelo espaço podem também contribuir para localizar minas, monitorizar o movimento dos refugiados, antecipar desastres naturais e reconstruir sociedades após conflitos.

A conferência de 2 dias - segunda e terça-feiras - intitulada "Peace-Building from the Space" (construindo a paz a partir do espaço), abordando uso das tecnologias de satélites para iniciativas de pós-crises, foi organizada em parceria pela Associação Européia de Promoção Espacial, conhecida pela sigla Eurisy (European space promotion association), a Divisão Federal para Assuntos Espaciais (da Suíça), e o Ministério Suíço das Relações Exteriores.

Herança comum

São numerosas as pessoas a estimarem que o espaço é uma herança comum da humanidade. Em conseqüência, o conhecimento que fornece sobre a Terra não deveria ser exclusividade de alguns países que podem explorá-lo.

"Governos que são donos de dados fornecidos por satélites nem sempre desejam dividi-los. Precisamos exercer pressões humanitárias no sentido de levar os governos a revelarem essas informações", disse na conferência o ex-chefe do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Cornelio Sommaruga.

"Se mapas podem facilmente ser atualizados a partir do espaço, como se faz regularmente para os exércitos, isso deveria também ser feito para agências humanitárias", acrescentou Sommaruga, atualmente chefe da seção suíça da Fundação para Rearmamento Moral.

Mas não são unicamente governos - e seus exércitos - que controlam satélites. Muitos dados fornecidos pela tecnologia espacial estão em posse de organismos privados.

Potencial

A grande maioria de satélites colocados em órbita já é de uso pacífico: telecomunicações, tv e previsões meteorológicas. Tornaram-se, na realidade, parte integrante do dia-a-dia a ponto que muita gente, nos países industrializados, os consideram algo normal.

Organizações de ajuda começaram a utilizar aos poucos os dados dos satélites, geralmente após desastres. Mas estão apenas começando a explorar um rico potencial.

Espera-se que, como resultado dessa conferência, mais organizações humanitárias possam incorporar em seus trabalhos informações fornecidas por satélites e que as agências espaciais tenham uma idéia mais clara das demandas.

"O relacionamento entre os fornecedores e os usuários dessas informações pode certamente melhorar", afirma Hubert Curien, ex-ministro francês e atual presidente de Eurisy.

"Gostaríamos de ver mais diálogo entre agências humanitárias e organizações governamentais que lidam com sistemas de satélite", disse Curien a swissinfo.

Colaboração

Em órbita, os satélites nem sempre são acessíveis no lugar certo e no tempo certo. Isso dificulta extrair dados e fornecê-los em determinadas situações. No entanto, aumenta a consciência de que a tecnologia espacial tem papel importante a desempenhar na prevenção e na solução de desastres.

"Agora que a tecnologia espacial pode fornecer dados para as operações de construção da paz, essa questão é debatida por usuários e fornecedores, nacional e internacionalmente, disse Patrick Pifaretti, vice-diretor da Divisão suíça para Assuntos Espaciais.

Pifaretti lembrou que a Suíça é membro da Agencia Espacial Européia, comprometida com uso exclusivamente pacífico do espaço.

Recomendações concretas

A conferência não é um exercício acadêmico. Um de seus principais objetivos é gerar apoio político ao conceito de construção da paz a partir do espaço. Daí a intenção de apresentar recomendações concretas para futuras iniciativas que possam ser tomadas por governos.

Segundo Pifaretti, a primeira tarefa é conscientizar os governos sobre o enorme potencial que o setor espacial tem para ajudar na solução de problemas humanitários. A segunda tarefa é que devem tornar disponível a informação certa.

"A discussão deve ocorrer também no governo para desenvolver políticas de paz e de ajuda", acrescenta Pifaretti.

Roy Probert, de Genebra.

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