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Seminário radical retoma contato com Vaticano

Uma cerimônia de ordenação em Ecône, sudeste da Suíça. Keystone

Bernard Fellay, superior da Sacerdotal Santo Pio X, foi recebido segunda-feira em audiência pelo papa Bento XVI.

Este conteúdo foi publicado em 29. agosto 2005 - 17:10

O papa espera assim retomar o diálogo com os católicos tradicionalistas que romperam com Roma em 1988.

O encongro entre o bispo Bernard Fellay e Bento XVI ocorreu na residência de verão do papa, em Castelgandolfo, em presença do cardeal Dario Castrillón Hoyos. Este dirige no Vaticano o departamento que foi criado depois do cisma de 1988, para "recuperar" os segudores do arcebispo francês Marcel Lefebvre, falecido em 1991.

Da aceitação ao conflito aberto

A Fraternidade Sacerdotal São Pio X foi criada em Fribourg, depois instalou-se em Ecône, no cantão do Valais (sudoeste), no início dos anos 7o, por Marcel Lefebvre.

O constexto geral da criação do movimento "foi o das turbulências que se seguiram ao Conselho Vaticano II", explica Jean-François Meyer, pesquisador e professor de ciência comparada das religiões na Faculdade de Letras da Universidade de Fribourg, e redator responsável de vários sites web, inclusive "Religioscópio".

Os fiéis de Ecône recusam as evoluções litúrgicas decididas nessa época e insistem, por exemplo, em celebrar a missa em latim. Eles também se opõem categoricamente ao ecumenismo e ao diálogo inter-religioso.

Por que Fribourg e o Valais? "Mgr Lefebvre lança seu projeto em Fribourg porque lá existe uma faculdade de teologia de uma uma certa reputação. Mas também porque em Fribourg e no Valais encontrou meios favoráveis. É bom lembrar que a Fraternidade São Pio X foi erigida com o acordo do Mgr Charrière, então bispo da diocese. Nessa época, ainda não havia a dinâmica de conflito aberto com Roma", explica Jean-François Mayer.

Entre Roma e Ecône, o tom vai tornar-se áspero nos anos 70, quando o arcebispo integrista decidar ordenar padres formados exclusivamente em Ecône e sem aprovação das autoridades diocesanas. A ruptura será total em 1998, quando João Paulo II excomunga Marcel Lefebvre depois dele ter ordenado quatro bispos. O cisma é consumado.

Essas ordenações provocam então a ruptura radical com Roma mas também o surgimento de um grupo de pessoas que se recusava a seguir Mgr Lefebvre e que faz um acordo com Roma. Surge então a Fraternidade São Pedro, constituída de dissidentes de Ecône que aceitam a autoridade romana.

Bons tempos para um reencontro

Para Jean-François Mayer, desde os anos 80, em Roma, desenvolveu-se uma reflexão crítica sobre as conseqüências das reformas litúrgicas. "Certos personagens no Vaticano vêem com simpatia não o cisma com Mgr. Lefebvre mas a visão tradicionalista que não julgam ilegítima".

É justamente "nesses meios que se encontra o ex-cardeal Ratzinger ou próximos dele", explica o professor. "As condições de uma reaproximação são portanto mais favoráveis do que nunca porque a imagem de marca do ex-cardeal Ratzinger é positiva dentro das correntes tradicionalistas".

Foi interessante observar "a presença ativa desses meios - submissos ao papa mas utilisando ritos tradicionais - durante as Jornadas Mundiais da Juventude, com bispos que celebraram as missas no rito tradicional", afirma Jean-François Mayer.

Haveria portanto um ouvido mais receptivo ao integrismo em Bento XVI do que em Jão Paulo II? "Precisamos esperar para ver mas não podemos observar apenas ele mas um certo número de prelados em volta dele."

De qualquer maneira, a divergência não terá solução fácil. "O problema é que crítica da Fraternidade São Pio X não é somente ritual. Se fosse restrita à litúrgia seria relativamente fácil de resolver. Mas há a questão do ecumenismo e Bento XVI afirmou em suas primeiras declarações que proseguiria a política ecumênica e o diálogo inter-religioso", lembra Jean-François Mayer.

E ele acrescenta: "A questão é saber até onde cada um pode fazer concessões, já que os dois lados não monolíticos. É sabido que na Fraternidade São Pio X, as posições dos bispos têm sensibilidades distintas quanto à aproximação com o Vaticano".

O que pode ocorrer na reunião desta segunda-feira? "Não se pode esperar muito. É um primeiro contato. Eu ficaria muito surpreso com soluções rápidas", conclui o pesquisador.

swissinfo, Bernard Léchot
Tradução, Claudinê Gonçalves

Fatos

Bernard Fellay, superior da Fraternidade Sacerdotal São Pio X, foi recebido segunda-feira, em audiência, pelo papa Bento XVI.
A Fraternidade São Pio X foi lançada em Fribourg, depois instalou-se em Ecône, cantão do Valais, no início dos anos 70, pelo arcebispo françês Marcel Lefebvre.
A ruptura entre Ecône e o Vaticano é total desde 1988, quando Jão Paulo II excomungou Marcel Lefebvre, depois deste ter consagrado quatro bispos.

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Breves

- Segundo dados obtidos por Jean-François Mayer, a Fraternidade Sacerdotal São Pio X teria atualmente mais de 400 padres e reinvindica 160 mil fiéis em todo o mundo (conforme dados oficiais do movimento).

- O pesquisador constata que o movimento se amplia em países onde não existia anteriormente, na África, Ásia e Leste Europeu. São centros de freqüentação modesta mas que testemunham uma extensão territorial.

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