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Água no Brasil Maiores reservas do mundo convivem com a seca

De um lado grandes reservas de água doce e de outro a seca.

(Keystone)

Quando se fala em florestas, o Brasil, que abriga 60% da Amazônia, é lembrado como ator fundamental para o equilíbrio ecológico mundial. Em energia, as descobertas de petróleo e gás na camada pré-sal colocarão o país entre os maiores produtores mundiais.

Mas, o Brasil também é o “país das águas”, já que detém 12% de toda a água potável do planeta, um bem que se torna a cada dia mais escasso em inúmeros outros países.

Na bacia do rio Amazonas está concentrado o maior volume de água superficial em todo o mundo, mas é debaixo da terra que o país guarda aquilo que cientistas e ambientalistas apontam como dois grandes tesouros naturais: os aquíferos Guarani e Alter do Chão, as duas maiores reservas de água doce subterrânea do planeta.

Com 70% de sua área localizada em território brasileiro, o Aquífero Guarani se espalha ainda por Paraguai, Argentina e Uruguai. Ao todo, abrange 1,2 milhão de quilômetros quadrados e possui um volume de água de 55 mil quilômetros cúbicos, quantidade que, segundo os cientistas, seria suficiente para abastecer todos os países do mundo por 200 anos. No Brasil, o reservatório se estende pelos estados de Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, São Paulo, Paraná, Goiás, Minas Gerais, Santa Catarina e Mato Grosso.

O Aquífero Guarani é o maior do mundo em extensão. Era considerado também o maior em volume de água, mas há dois anos cientistas ligados às universidades federais do Pará (UFPA) e do Ceará (UFC) realizaram estudos que concluíram que as reservas do Aquífero Alter do Chão, espalhadas pelo subsolo dos estados do Pará, do Amapá e do Amazonas em uma área de 437 mil quilômetros quadrados, são ainda maiores e comportam 86 mil quilômetros cúbicos de água.

O imenso potencial de ambos os aquíferos suscita de imediato duas questões. A primeira diz respeito a sua preservação ecológica e exploração comercial sustentável. A segunda tem implicações geopolíticas, em um mundo onde a água é cada vez mais escassa e, segundo previsões da ONU, faltará de forma drástica em muitos países já nas próximas duas décadas.

Com recursos do GEF (Global Environment Facility) e supervisão do Banco Mundial e da Organização dos Estados Americanos (OEA), os governos dos quatro países por onde se espalha o Aquífero Guarani são parceiros no Projeto de Proteção Ambiental e Desenvolvimento Sustentável do Sistema Aquífero Guarani. A iniciativa, segundo a Agência Nacional de Águas (ANA) do Brasil, possibilitará “a elaboração e implementação de um marco legal e técnico de gerenciamento e preservação do Aquífero Guarani para as gerações presentes e futuras”.

Vulnerabilidade

Ainda sem um programa específico que garanta sua preservação, o Aquífero Alter do Chão, mesmo estando localizado sob um área menos populosa, é hoje mais vulnerável. Segundo a Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), o reservatório já abastece 40% da cidade de Manaus, com cerca de 130 poços ligados à rede púbica e mais de dez mil poços particulares. Diversas outras pequenas cidades amazonenses garantem 100% de seu abastecimento nas águas do aquífero.

“A reserva de água no entorno de Manaus está muito contaminada. É onde o aquífero aflora e também onde a coleta de esgoto é insuficiente. Ainda é alto o volume de emissão de esgoto in natura nos igarapés da região”, diz Marco Antônio Oliveira, superintendente da CPRM no Amazonas. Ele enfatiza a urgência de se construir um planejamento estratégico, de âmbito nacional, para a exploração comercial do Aquífero Alter do Chão.

Paradoxo

País com dimensões continentais, o Brasil, apesar de abrigar as duas maiores reservas de água doce do planeta, tem também a região do semiárido, que ainda sofre com a seca e a falta d’água. Em setembro, o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome completou a entrega de 500 mil cisternas para coleta de água da chuva a famílias de todos os estados da Região Nordeste e também de Minas Gerais e Espírito Santo. A iniciativa faz parte do Programa Água Para Todos, que até 2014 pretende construir um total de 750 mil cisternas e seis mil pequenos sistemas de abastecimento no semiárido brasileiro.

Outra iniciativa em curso que tem o objetivo de minimizar os efeitos da seca no Brasil é a transposição do rio São Francisco, megaprojeto iniciado em 2007 e que faz parte do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal. Polêmica, a transposição das águas do “Velho Chico” divide os brasileiros. Segundo o movimento socioambiental, vai contribuir para a degradação do rio e servirá apenas ao agronegócio. O governo, no entanto, garante que as obras possibilitarão o acesso à água potável para 12 milhões de habitantes do semiárido.

Outra flagrante contradição em um “país da água” como o Brasil é a persistente falta de saneamento básico, já que uma parte considerável dos brasileiros - cerca de 10% da população, segundo dados do Unicef - ainda vive sem que o Estado lhe garanta os serviços de abastecimento de água potável. Além disso, cerca de 25% da população ainda vive sem um verdadeiro sistema de esgoto sanitário. O planejamento do governo tem como meta que até 2030 o abastecimento alcance 98% do território brasileiro e que 88% dos lares tenham esgotamento sanitário.

Ambientalistas

Desde 2004, existe no Brasil a Rede Aquiífero Guarani, que engloba centenas de ONGs e entidades representativas dos movimentos sociais brasileiros.

Seu principal objetivo é promover a “articulação entre os atores que trabalham na área do Aqüífero Guarani para fomentar o intercâmbio de informações e enfatizar a necessidade de se trabalhar o reservatório como um bem natural comum, com enfoque em sua recuperação ambiental e manejo sustentável”.

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Protagonista

O Brasil integra o Conselho Mundial da Água, rede com sede na França e que engloba cerca de 200 países.

Nas duas últimas edições do Fórum Mundial da Água – realizadas em Istambul (2009) e Marselha (2012) – o governo brasileiro assumiu papel importante nas discussões sobre temas como “acesso à água e erradicação da pobreza” e “consumo hídrico para geração de energia”, entre outros.

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