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Copa do mundo Voluntários suíços relatam "experiência única" vivida no Brasil

Peter_Christen
(swissinfo.ch)

Para muitos cidadãos suíços que estiveram na Copa do Mundo realizada no Brasil, o bom desempenho da equipe da Suíça e o clima de emoção e festa que marcou o evento tornaram a participação no mais importante torneio de futebol do planeta uma experiência inesquecível.

Essa sensação foi ainda mais forte para três suíços que fizeram trabalho voluntário durante a Copa 2014 e integraram um contingente de cerca de 14 mil pessoas, oriundas de 158 países, recrutadas pela Fifa.

Voluntário no Itaquerão, sede dos jogos da Copa em São Paulo, Peter Christen, 66 anos, diz que a experiência foi “muito interessante” e que o trabalho para a Fifa, mesmo não remunerado, possibilitou que ele assistisse aos seis jogos realizados no estádio, inclusive a grande atuação da Suíça contra a Argentina e o jogo de abertura disputado entre Brasil e Croácia: “Na véspera da abertura da Copa, fiscalizamos o término das obras de preparação da área de hospitalidade dentro do Itaquerão”, conta.

Natural de Vevey, no cantão de Vaud, Peter revela sua rotina de trabalho: “Nos dias de jogo, nossa atuação começava cinco horas antes do início da partida com uma reunião do grupo de voluntários. Depois, almoçávamos no restaurante para voluntários e três horas antes do jogo começávamos a auxiliar os torcedores a acharem os acessos à Vila de Hospitalidade, aos Welcome Desks Hospitalidade, aos Lounges e Camarotes dentro do estádio. Durante o jogo, estávamos prontos para resolver toda necessidade e emergência que podia surgir e atrapalhar o evento”.

Há dez anos morando no Brasil, Guy Salvi, 40 anos, atuou como voluntário da Fifa no Rio de Janeiro. Ele diz que a participação na Copa de 2014 foi uma “experiência fantástica e única” que gostaria de repetir: “Foi muito bom trabalhar como voluntário na Copa. Se pudesse fazer no ano que vem, faria novamente. Já dizia isso no ano passado, ao fim da Copa das Confederações, onde também trabalhei como voluntário. Tanto que voltei esse ano”.

O trabalho de Guy, que permitia ver os jogadores de perto, seria um sonho para muitos fãs de futebol: “Sem dúvida, eu era um voluntário privilegiado. Era responsável pelos vestiários do Maracanã e por algumas outras partes da área de competição do estádio. Trabalhei diretamente com os responsáveis pelo Maracanã no Comitê Organizador Local (COL) e na Fifa”, diz o suíço, que é natural de Nyon, também no cantão de Vaud.

Superlativos

A realização da Copa do Mundo no Brasil já entrou para a história do torneio por seus números superlativos no que diz respeito à rentabilidade, à presença de público nos estádios e à audiência da tevê. Segundo estimativa do Comitê Organizador Local (COL), cerca de 3,7 milhões de turistas estrangeiros estiveram no Brasil para acompanhar o evento, entre eles as onze mil pessoas que se inscreveram para atuar como voluntárias nas doze cidades-sede. Segundo o COL, os países que tiveram mais pessoas inscritas para o trabalho voluntário durante a Copa foram Colômbia (1.427), Estados Unidos (772), Espanha (760), México (742) e Argentina (731).

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Alguns voluntários saíram da Suíça especialmente para trabalhar na Copa do Mundo. É o caso de Beat (ele pede para não ter seu sobrenome revelado), 45 anos, morador de Zurique que trabalhou no estádio Castelão: “Eu trabalhei em Fortaleza como assistente para a gestão de voluntários. Minha principal tarefa era monitorar o check-in de todos os voluntários nos dias de jogo. Era preciso saber o mais rápido possível se os voluntários estavam realmente presentes nas principais áreas”, conta.

Quatro linhas

Além da oportunidade de acompanhar a Copa de perto, outra satisfação para os voluntários suíços foi testemunhar a melhor participação da equipe nacional nos últimos anos: “A Suíça jogou muito bem. Especialmente contra a Argentina, a equipe teve um ajuste tático excelente e também uma defesa bem armada. Se tivéssemos chegado à disputa de pênaltis, poderíamos ter causado uma grande surpresa”, diz Beat. Ele lamenta não ter visto os jogos da Suíça ao vivo: “Infelizmente, eu não podia vê-los ao vivo porque tinha que trabalhar em Fortaleza. Mas, pude ver alguns jogos na Fan Fest juntamente com muitos outros fãs suíços. No jogo da Suíça contra a Argentina, é claro, todos os brasileiros estavam do nosso lado”, relembra.

Peter Christen também gostou do que viu: “Fora o placar contra a França, gostei muito da atuação e dos resultados de alto nível obtidos pela equipe suíça”, diz. Guy Salvi, por sua vez, classifica como “ótimo” o desempenho da Suíça na Copa: “Eu estava escalado todos os dias no Maracanã. Vi os jogos lá, na tevê dos vestiários, na sala do COL ou na sala da Fifa”, diz.

Hospitalidade

A organização do evento e a hospitalidade do povo brasileiro são ressaltadas pelos suíços: “De um modo geral, a organização foi muito boa, até melhor do que eu imaginava. De um modo mais especifico, na área das competições do Maracanã, tudo foi perfeito, a começar pela ótima hospitalidade e recepção do povo brasileiro”, diz Guy Salvi.

“A hospitalidade do povo no Brasil foi ótima”, concorda Beat, que levou de volta à Suíça uma imagem positiva do país: “Eu só vi pessoas radiantes, e todos foram muito simpáticos e prestativos. A organização geral funcionou muito melhor do que eu imaginava. A Fan Fest na praia, por exemplo, foi perfeitamente organizada, muito limpa e segura. Também no estádio quase tudo funcionou”, diz. Peter Christen segue o mesmo caminho: “Acho que a Copa foi bem organizada e a hospitalidade do povo brasileiro foi muito bem recebida pelos turistas estrangeiros”.

Copa na Suíça

Indagados se gostariam que a Suíça voltasse à organizar uma Copa do Mundo, os voluntários de dividiram: “Pragmaticamente falando: com a escalada exponencial dos custos da Copa - parece que o orçamento para a próxima Copa na Rússia é o dobro dos custos efetivos da Copa no Brasil - não estou favorável a que a pequena Suíça, depois de 1954, receba e pague por uma outra Copa”, diz Peter.

Já Guy Salvi gostaria de ver uma Copa em seu país: “É uma festa bonita e traz um ambiente alegre e festivo ao país que a recebe. Sem dizer que, se bem organizada, é uma tremenda oportunidade promocional e econômica”, diz.

 Beat tem uma posição intermediária: “A Suíça organizou em conjunto com a Áustria, em 2008, um grande Campeonato Europeu. Provavelmente, os estádios na Suíça seriam demasiado pequenos para acolher uma Copa do Mundo e eu acho que o país não seria capaz de sediar. Mas, eu gostaria de recebê-la”, diz.

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