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Moçambique Uma ilha de excelência



Engenheiro moçambicano na área de produção de medicamentos da Sociedade Moçambicana de Medicamentos (SMM) em Matolo, na província de Maputo. 

Engenheiro moçambicano na área de produção de medicamentos da Sociedade Moçambicana de Medicamentos (SMM) em Matolo, na província de Maputo. 

(swissinfo.ch)

A realidade de Matola difere muito daquela vivida pelas populações nas zonas rurais. O município vizinho à capital Maputo tem quase um milhão de habitantes e concentra mais da metade da produção industrial do país. Em uma zona industrial um pouco afastada do centro estão as dependências da Sociedade Moçambicana de Medicamentos (SMM), a primeira indústria farmacêutica do país. De longe o complexo formado por um prédio de dois andares anexo a um galpão industrial não se difere de outras indústrias de pequeno porte na região. Por dentro, high-tech.

Criado por uma iniciativa do governo brasileiro em 2003 durante a primeira viagem à África do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o projeto levou dez anos para ser realizado. O custo total de 21 milhões de dólares foi coberto em grande parte por doações do Brasil e uma pequena parte através da multinacional de mineração Vale. A infraestrutura foi realizada e equipamentos de última geração foram levados para Moçambique. Ao mesmo tempo, um grande número de técnicos e engenheiros moçambicanos foi levado ao Brasil para treinamento.

"Não existe nada similar no mundo", afirma Lícia de Oliveira, coordenadora do projeto na Fundação Oswaldo CruzLink externo, uma instituição de pesquisa e desenvolvimento no setor de ciências biomédicas do governo brasileiro. O projeto prevê a transferência de tecnologia e conhecimento para a produção de 21 medicamentos. Além de remédios básicos como antidiabéticos, antibióticos ou para combater infecções ou hipertensão, o plano é permitir também fabricar os medicamentos antirretrovirais necessários para combater o HIVLink externo, que atinge 11,5% da população entre os 15 e 49 anos, a 8ª prevalência mais elevada do mundo. A estimativa é que a fábrica produza cerca de 371 milhões de unidades farmacêuticas por ano.

"Se der certo, a fábrica poderá atender não apenas toda a demanda do país de remédios, mas também irá até fornecer aos países vizinhos", diz orgulhosa Lícia de Oliveira. Até hoje, todos os medicamentos utilizados no sistema de saúde moçambicano são genéricos importados de países como a Índia ou doados pelos parceiros internacionais. Além disso, problemas de logística provocam a perda ou interrupções na distribuição de medicamentos. Dados oficiais mostram que apenas 62% dos adultos e 36% das crianças soropositivas recebem os antirretrovirais.

Porém fabricar medicamentos não é o mesmo que biscoitos. As exigências sanitárias são elevadas e cada medicamento precisa obter um selo de qualidade do órgão regulador, além de certificações internacionais. Isso explica porque as máquinas ficam isoladas em salas de produção com sistemas de purificação do ar. Para entrar, é necessário utilizar uma roupa especial parecida com a de astronautas, com filtros. "É para impedir que os técnicos não contaminem os medicamentos ou mesmo os aspirem", explica o engenheiro moçambicano.

Por enquanto a fábrica em Matola apenas embala medicamentos. Depois da fase de testes, a fase operacional deve começar a partir do ano que vem. Todavia a independência no acesso a medicamentos pode não se concretizar. "O problema é que chegamos agora no momento em que o país deve assumir sozinho o projeto e até o momento, não existe uma clareza por parte das autoridades", lamenta Lícia. Isso significa garantir o financiamento e a formação de quadros até que a fábrica se torne viável e sustentável.

Enquanto a dúvida perdura, outros interessados têm aparecido. "São representantes de empresas indianas que vêm conhecer o projeto, indicando que poderiam assumir a fábrica para fabricar seus próprios medicamentos". Nesse caso, ela indica a possibilidade de mudanças. "Obviamente eles não viriam para produzir os genéricos ou antirretrovirais que já exportam para Moçambique, mas sim medicamentos para doenças específicas nos quais as margens de lucro são bem maiores", afirma a farmacêutica brasileira, para quem o projeto está nas mãos de Filipe Nyusi, o futuro presidente de Moçambique, eleito em outubro de 2014.

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