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Tendência Festas de crianças à brasileira também ocorrem na Suíça

Vanessa Balestra fazendo animação

(Liliana Tinoco-Bäckert)

As crianças suíças já não são mais as mesmas quando querem comemorar seus aniversários. Não se assuste ao chegar a uma festa infantil em Lucerna e se deparar com os pequenos fantasiados, com bolo de pasta americana e recheio de doce de leite, painel, música do Michel Teló, tudo decorado em grande pompa e de acordo com o gosto do aniversariante, como se você estivesse no Brasil.

O excessivo número de estrangeiros na Suíça tem gerado mudanças interessantes. As mamães brasileiras que vivem no país não querem comemorar o aniversário dos filhos com um simples bolo de cenoura e cachorros quente, como é feito por aqui. A saída é partir para a criatividade e organizar suas comemorações com o brilho que se conhece.  Resultado, as mães das crianças suíças se veem quase que obrigadas a copiarem o estilo brasileiro de festa para não deixarem os filhos frustrados.

Ainda que pequenas e vistas muitas vezes somente em um núcleo específico, essas interações culturais são mais sentidas em regiões com maior número de estrangeiros como Basileia, Zurique, Aargau e Lucerna. As festas de aniversários infantis exemplificam esse fenômeno, chamado pelos especialistas de transferência cultural.

Ampliar horizontes

Stephanie Lindsey, de Unterengstringen, de Zurique, é uma dessas mães que se viu obrigada a ampliar seus horizontes para agradar aos filhos. Procurou os serviços da organizadora de festas Vanessa Balestra, dona da empresa de eventos “My party is the best”, em Zurique.  Prestes a completar sete anos, seu menino queria de qualquer maneira uma festa de “Star Wars” como as que ele está acostumado a ir. “Aqui onde moramos é cheio de latinos e brasileiros. Meu filho vê essas grandes produções e quer também. Eu não poderia organizar, somente um bolo de chocolate, pão com salsicha e meia dúzia de crianças. Eu não conhecia esse tipo de festa, e com certeza nunca tinha visto uma coisa tão bonita assim. Mas como iria negar isso aos meus filhos?”, explica a suíça, mãe de duas crianças e que não tem qualquer parentesco latino.

Balestra, que geralmente vai vestida à caráter, incluiu na festa animação, como brincadeiras em grupo supervisionadas e elaboração de um workshop específico, que a animadora idealiza de acordo com a idade das crianças e o tema.  

Globalização ajudou

A transferência cultural em festas é recente e encontra uma sociedade suíça ainda crua para a recepção desse novo modelo. A maturação do mercado, no entanto, é questão de tempo. A organizadora de festas Vanessa Balestra acredita que a globalizacão e a maior facilidade em encontrar os produtos festivos tem contribuído para o crescimento do mercado. “Atualmente, é muito mais fácil organizar uma festa de aniversário nos moldes brasileiros/americanos. Além de podermos comprar muitos artigos pela internet, a aceitação do público suíço tem sido fundamental para vendermos o nosso serviço e investirmos em novas ideias”, explica Balestra, que faz em média seis festas por mês.

O segredo para conquistar o público estrangeiro é adaptar-se. Os bolos têm que ser menos doces, a música não tão alta e apostar m as atividades infantis, que são muito apreciadas. Os suíços, mais que os brasileiros, prezam muito pela atividades lúdicas e a interação entre crianças nas festas. Os brasileiros querem muitos salgadinhos, como a preferida coxinha de galinha, e uma decoração esplendorosa nas mesas para fazerem o álbum de seus filhos. “São traços culturais que devemos respeitar e adaptar à realidade de cada família”, explica Balestra.

Quanto custa?

Não existe preço definido para uma festa, tudo depende do número de convidados e do que a pessoa quer.

Um bolo decorado com pasta americana custa de 200 a 400 francos.

 

O cento da coxinha e salgadinhos custa em media 120 francos.

 

Empresas como My party is the Best e Edigelma Santos trabalham com pacotes, que são customizados, e cobram de acordo com a demanda.

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Mercado em expansão

O mercado de festas infantis cresce rápido mas informalmente, ainda à margem, com muitas profissionais autônomas e empresas não registradas, tocadas principalmente por brasileiras que sentiram necessidade de usufruir dos serviços e não encontravam opção. Ainda não há números que constatem a tendência, mas a observação constata. Obviamente nada comparado à realidade do Brasil, onde há muitas lojas de decoração de festas infantis nas ruas, serviços e casas de festa.

Mas ao digitar no Google as três palavras “festas infantis na Suíça”, o leitor se surpreenderá com o resultado e verá que é festas de aniversário super-produzidas é de fato uma tendência por aqui. Numa rápida pesquisa para essa matéria, encontrei ofertas de “ cristiane-festas”,  a página do Conselho Brasileiro na Suíça (Cebrac), com 11 ofertas de serviços como salgados, bolos e decoração de festas infantis e de casamentos em diferentes cantões do país. Mude as palavras chave para “artigos de festas infantis na Suíça”. De novo muitas surpresas. Nomes como a Cake & Party, de Portugal, que promete entregar em terras helvéticas. Isso sem falar em empresas on line pelo mundo que também entregam na Suíça: Birthday express, nos Estados Unidos, as alemãs Geburtstagsfee.  

A americana Birthday Express provavelmente conta com uma grande clientela por aqui. Ao abrir a página na internet, muitas vezes o cliente se depara com um “pop up” que comunica entregar na Suíça. Procurada, a empresa não quis dar entrevista à swissinfo.ch. A alemã Geburtstagsfee ainda não se profissionalizou a ponto de dispor de atendimento à imprensa, mas também conta com uma grande variedade de produtos divididos por temas como Princesa, Mickeymouse, Bombeiro, Policial, Carros, além de artigos para decoração de bolo, lembrancinhas, aluguel de pula-pula inflável, entre uma infinidade de ofertas. Também entregam na Suíça.

Trabalho de profissionais

“Quem tinha filho e queria fazer uma festinha sabe o trabalho que dava para planejar há poucos anos. Tinha que se pensar em tudo com meses de antecedência, comprar os produtos no Brasil e abarrotar as malas”, explica a cake designer paulistana Andrea Kopp, que apesar de comprar a maioria dos artigos pela internet e pagar por serviços como animação, ainda traz do Brasil a pasta americana (uma espécie de glacê) para confeitar seus bolos.Moradora de Wintertur, Kopp conta que começou a fazer bolos desde o nascimento dos filhos, há 11 anos, por falta de opção desse serviço no mercado. É hoje uma artista no ofício de personalizar bolos. Kopp é detalhista, trabalha por hobby e porque ama o processo de ver a massa se transformar num bolo artístico, que ela denomina de “efeito ual” da festa.

A pernambucana Edigelma Santos também é outro exemplo que encaixa nesse perfil. Tem uma empresa de organização de festas na fronteira da Alemanha com a Basileia, na Suíça. Santos diz que trabalha por diversão e que só aceita encomendas que ela considera agregar prazer ao seu trabalho. “Nesse mercado, a gente tem que trabalhar com amor. O que faz a diferença na festa é o detalhe, a beleza de uma pequena florzinha em um docinho em cima da mesa decorada. Eu não quero me encher de encomendas e fazer uma festa com pressa “, afirma. Edigelma com razão. Festa de aniversário é realização de um sonho, tanto da criança, quanto dos pais. No Brasil ou no mundo, sentimentos assim não mudam. O que todos querem é se divertir e guardar uma lembrança muito bonita de um momento tão especial.

swissinfo.ch


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