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Suíça está fora dos processos de paz

A recente declaração de Micheline Calmy-Rey pela independência do Kossovo provocou protestos de Belgrado (Keystone) Keystone

Pesquisador na Escola Politécnica Federal de Zurique (EFPZ), Daniel Trachsler explica a swissinfo porquê a Suíça deve reativar sua política de "bons ofícios".

Este conteúdo foi publicado em 07. setembro 2005 - 17:45

A Noruega e a Finlândia estão envolvidas nos processos de paz de maneira ativa, atualmente, enquanto a Suíça considera que a neutralidade não mais um trunfo no cenário político internacional.

Para Daniel Trachsler, o exemplo da Noruega demonstra que nas negociações para a resolução de conflitos, é mais importante ser um intermediário imparcial do que ter uma postura de perpétua neutralidade.

Oriente Médio, Kossovo, as duas Coréias, nessas três regiões a diplomacia suíça perdeu, segundo ele, uma ocasião de promover-se lançando negociações de paz.

É certo que houve o Pacto de Genebra ou Iniciativa de Genebra - um plano de paz para o Oriente Médio, entre isralenses e palestinos. Mas, por enquanto, ele parece esquecido.

Por outro lado, a ministra das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey lançou recentemente um apelo em favor da independência do Kossovo. Os sérvios foram solicitados à prudência.

Ao mesmo tempo, países como a Noruega demonstraram grande eficiência como intermediários em regiões como Oriente Médio, América Central e Sri Lanka.

swissinfo: Como o sr. explica esse ritmo mais lento da política estrangeira suíça para a paz?

Daniel Trachsler : Durante a guerra fria, a Suíça foi um dos raros países neutros existentes, o que favorecia sua posição para oferecer seus bons ofícios. Mas a diplomacia helvética não conseguiu transformar-se depois da guerra fria, quando teria justamente de elaborar uma nova política estrangeira.

swissinfo: O que mudou depois da guerra fria?

D.T. : Hoje, a maioria dos conflitos ocorrem dentro das fronteiras de um país as soluções requerem instrumentos novos como a mediação multilateral, os incentivos políticos e econômicos e as pressões militares.

Durante muito tempo, a Suíça ignorou as evoluções e não adaptou sua política em matéria de negociação de paz. Outros países como a Noruega adaptaram-se mais rapidamente e ganharam uma dimensão internacional.

A Suíça admite agora que são necessárias mudanças em suas estruturas, de acordo com os novos parâmetros em vigor. Ele deve ainda rever sua estratégia de solução de controvérsias.

swissinfo: Mas a neutralidade suíça não deveria favorecê- la na promoção da paz?

D.T. : A importância da neutralidade de um país envolvido em negociações de paz é superestimada. Na Suíça, internamente, a idéia que a neutralidade é uma vantagem ao oferecer mediação é amplamente divulgada.

Mas, quando se trata de mediação e negociação, essa percepção perde sua substância. Estatísticas demonstram que os países neutros não são os preferidos como mediadores de conflitos. Por outro lado, os países neutros não obtém melhores resultados que outros países envolvidos em solução de conflitos.

Outros fatores como o peso político ou econômico e as perspectivas de estímulo são mais eficazes. O exemplo da Noruega, que é membro da OTAN, prova que é mais importante ser percebido como negociador imparcial do que como entidade constantemente neutra.

swissinfo: Devemos esperar que a Suíça seja vanguardista em negociações de paz?

D.T.: A promoção da paz e a diplomacia são áreas difíceis. Essas atividades freqüentemente dão resultados frustrantes. Isso ocorre com todos os países e não somente com a Suíça.

Mas é preciso perseverança, vontade política e recursos para atingir seus objetivos. Acho que a Suíça está se recuperando como no caso do Sudão, com a ajuda às operações de desmingem e na luta contra proliferação das armas leves.

swissinfo: Como o sr. explica a emergência de países como a Noruega nas negociações de paz?

D.T. : A política na Noroega é baseada em uma ideologia. E é uma questão moral para Oslo agir em favor da resolução de conflitos. Há ainda o critério da segurança. As autoridades pensam que os conflitos nos países estrangeiros têm conseqüências diretas na segurança interna norueguesa, com o afluxo crescente de refugiados e o aumento da crime organizado e do terrorismo.

A Noruega também ganha em influência política através da promoção da paz e melhora sua posição no cenário internacional.

Oslo dispõe de apoio interno imporante para a promoção e elaboração de sua política de paz. Isso garante à Noruega um engamento em política estrangeira a longo prazo.

swissinfo: O que a Suíça deveria fazer para retormar seu papel de vanguarda?

D.T. : A Suíça deve colocar novamente a promoção da paz como prioridade política para voltar ao cenário político internacional. Essa determinação é prioritária. Deve também mostrar-se mais ofensiva na promoção da paz e não ficar esperarando que outros países solicitem sua ajuda.

Entrevista swissinfo: Scott Capper

Fatos

Classificação da l'OCDE (Organização de cooperação e desenvolvimento econômico) em contributions líquidas aos países em desenvolvimento e organismos multilaterais:
1° Dinamarca: 0,93% do PIB (produto interno brut)
2° Noruega: 0,76% do PIB
6° Suíça: 0,43% do PIB
11° Grã-Bretanha: 0,23% do PIB
21° Estados Unidos: 0,05% do PIB

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Breves

- Daniel Trachsler é pesquisador no Centro de Estudos Estratégicos da Escola Politécnica Federal de Zurique.

- Alguns de seus trabalhos atuais analisam a maneira em que a Suíça adaptou sua concepção da promoção da paz à evolução do cenário político internacional e, que tipo de bons ofícios o país deveria propor no futuro.

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