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Suíça quer estreitar laços com América Latina

Micheline Calmy-Rey, ministra das Relações Exteriores. swissinfo.ch

"Devemos cuidar particularmente de nossas relações com os os países da América Latina", afirma a chanceler suíça.

Este conteúdo foi publicado em 23. fevereiro 2005 - 22:59

Micheline Calmy-Rey está em viagem de seis dias ao Perú, Argentina e Uruguai. Um dos objetivos futuros é firmar um acordo de livre comércio com o Mercosul.

"Até agora a América Latina não tem sido uma região prioritára da política exterior suíça", reconhece a ministra das Relações Exteriores, Micheline Calmy-Rey.

"Mas acho que nosso relativo isolamento político na Europa, pelo fato de não sermos membros da União Européia, nos incita a cuidar particularmente de nossas relações com os países da América Latina", acrescentou a chanceler.

Em coletiva de imprensa antes de viajar, Micheline Calmy-Rey passou em revista os vínculos da Suíça com o subcontinente. Falou dos laços humanos, da semelhança de objetivos em política externa e da reputação da Suíça, entre outros temas.

"Penso que temos de estreitar nossas relações porque são países benevolentes, que têm "a priori" uma atitude positiva em relação à Suíça", assinalou a ministra.

Agenda política e econômica

Essa é a primeira viagem de um ministro das Relações Exteriores na região desde 1997. Além da agenda de encontros com seus homólogos, Calmy-Rey vai inaugurar mais um projeto da Agência Suíça de Desenvolvimento e Cooperação (DDC) no Peru e a assinatura de acordos de cooperação política, judicial e econômica.

Também estão previstos encontros com os embaixadores suíços nos três países e com coordenadores da DDC. No Uruguai, a ministra suíça vai assistir à posse de Tabaré Vásquez, uma oportunidade também para outros encontros e discussões com outros convidadados para a cerimônia.

A América Latina já foi um eldorado para milhares de emigrantes suíços nos séculos XVIII e XIX, principalmente a Argentina.

Como os tempos são outros, o processo hoje se inverteu. Desde 1990, é crescente o fluxo de latino-americanos que procuram uma vida melhor na Suíça. As estatisticas oficiais indicam que essa imigração já superou a africana no país alpino.

A integração na Suíça dos latino-americanos, segundo a chanceler, é melhor condições do que de pessoas procedentes de outras regiões do mundo.

"Eles falam línguas européias, são de religião cristã é têm uma cultura comparável; por isso a integração é mais fácil", explicou.

Elogios e críticas

Na análise das relações entre a Suíça e a América Latina, a chanceler da boa reputação que seu país goza no subcontinente. "O nome Suíça simboliza qualidade, seriedade, pontualidade e passamos por um modelo de democracia federalista", afirmou.

Contudo, assinalou também que "às vezes somos criticados nos jornais de alguns países pela atividades de nossa praça financeira e nosso secredo bancário, mas essas críticas são injustificadas", na opinião da ministra.

Para melhor informar acerca desses aspectos e a cooperação judiciária, em colaboração com Argentina e Peru serão organizados seminários nesses dois países ainda este ano.

Cooperacão contra o crime

"Queremos também intensificar nossa cooperação com a polícia e a justiça para apoiar esses países na luta que travam contra o tráfico internacional de drogas e o crime organizado", frisou a ministra referindo-se aos acordos de assistência judicial em matéria penal. Acordos desse tipo já foram assinados com o Brasil.

Calmy-Rey lembrou que um acordo em vigor com o Peru permitiu as investigações do caso Montesinos (braço direito do ex-presidente Fujimori), e a restituição do dinheiro depositado na Suíça ao governo peruano.

Acordo semelhante deverá ser concluido com a Argentina, que mantém um processo aberto contra o ex-presidente Menen.

A Suíça pretende ainda firmar um acordo para a transferência de prisioneiros suíços detidos no Peru.

Interesse pelo Mercosul

No plano econômico, Micheline Calmy-Rey pretende que sua viagem ajude a concretizar dispositivos políticos e jurídicos que darão mais garantia aos investimentos suíços.

Manifestou também o interesse da Suíça em firmar um acordo de libre comércio com o Mercosul, provavelmente nos moldes que o bloco sulamericano negocia atualmente com a União Européia.

Cabe lembrar que as relações atuais da Suíça com a América Latina existem em dois níveis: a economia e a cooperação, em que Berna financia e coordena, atravé da DDC, projetos de desenvolvimento em Cuba, América Central, Bolívia e Peru.

"Tentei saber por que estamos particularmente presentes há 40 anos no Peru e cheguei à conclusão que, além de ser um país com grande pobreza, é provalmente porque é um país de montanhas, como a Suíça".

Este ano, a Suíça vai investir 22 milhões de francos em projetos de desenvolvimento no Peru. A ministra vai inaugurar um novo projeto de descentralização a assinará um acordo com autoridades peruanas para prevenir o roubo de bens culturais.

swissinfo, Marcela Águila Rubín
adaptação: Claudinê Gonçalves

Fatos

55 mil suíços vivem na América Latina.
A maior colônia está na Argentina, com 15 mil pessoas.
Nos últimos 15 anos, vem crescento o número de imigrantes latino-americanos na Suíça.

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Breves

A chanceler suíça Micheline Calmy-Rey visita Peru, Argentina e Uruguai, até 1° de março.

É a primeira viagem de um chefe da diplomacia suíça na região desde 1997.

No Peru, ele tem reunião com seu homólogo Manuel Rodríguez e será recebida pelo presidente Alejandro Toledo. Vai se reunir ainda com embaixadores dos três países e com coordenadores da DDC.

Em Cuzco, ela lançará um projeto de descentralização.

Na Argentina, vai discutir cooperação bilateral com o chanceler Rafael Bielsa.

No Uruguai, dia 1° de março, a ministra suíça assistirá a posse do presidente Tabaré Vásquez.

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