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Suíça sobre trilhos

Gigantescas gruas montam estruturas de aço na galeria de São Gottardo (imagem: www.alptransit.ch)

Representantes dos governos suíço e italiano encontram-se para debater sobre o futuro do transporte.

Enquanto isso, duas obras colossais da engenharia civil estão em curso nas entranhas dos Alpes: o túnel de Lötschberg e a galeria de São Gottardo.

Uma grande e silenciosa revolução nos transportes alpinos está a caminho, por debaixo das montanhas. As linhas de alta velocidade, com trens correndo a mais de 200km/h, vão levar passageiros e mercadorias com maior rapidez e segurança entre o norte da Europa e o mar Mediterrâneo.

A Suíça aposta e investe pesado na infraestrutura ferroviária. E, mais uma vez, chama a atenção da vizinha Itália para exercer o seu papel de responsabilidade na contra-partida. A convenção sobre transportes debateu o tema ontem (25 de outubro), na sede da Câmara de Comércio da Lombardia, no centro de Milão.

Duas obras colossais da engenharia civil ferroviária estão em curso nas entranhas dos Alpes: o túnel de Lötschberg e a galeria de São Gottardo. Juntas elas vão contribuir para melhorar o fluxo de tráfego, cada vez maior, e ajudar a descongestionar as estradas e as linhas de trem.

A primeira deverá ser entregue em 2007 e está com mais de 96% das escavações prontas. Até o fim deste ano o túnel de 36,7 km vai estar concluído. A instalação dos equipamentos como trilhos, sinalização e iluminação está prestes a começar. Já a segunda, com a maior galeria do mundo - 57 km de extensão - ficará pronta em 2016. Ambas são fundamentais para evitar o colapso das vias terrestres transalpinas. Desde a abertura do São Gottardo até o fim de 2001, o tráfego privado dobrou e o de cargas cresceu em 500 %.

Suíça prefere solução ferroviária

Os dois trabalhos foram analisados durante uma convenção sobre os transportes de passageiros e mercadorias entre a Suíça e a Itália. Ela contou com a participação de autoridades e pesquisadores de ambos os países, entre eles o ministro dos Transportes, Moritz Leuenberger. O ministro suíço não deixou dúvidas sobre a política do governo helvético. Ela corre sobre trilhos por duas razões: evitar o mínimo de danos ao meio ambiente e a queda no padrão da qualidade de vida dos habitantes locais. Sem contar a maior relação custo/benefício do trem.

A governo reforça a sua estratégia com a divulgação do aumento de 10% no volume de mercadorias transportadas através dos Alpes suíços em vagões ferroviários, somente nos primeiros seis meses deste ano. Esta fatia de mercado foi roubada da circulação sobre rodas.

“Muitos nos pedem que a galeria rodoviária de São Gottardo seja alargada em duas faixas para cada pista, outros querem que nós liberemos a circulação noturna para permitir um maior trânsito de caminhões. Esses pedidos não serão atendidos. A Constituição suíça proíbe o aumento da capacidade das estradas através dos Alpes e devemos aceitar esta realidade”, afirmou o ministro.

Falta de pontualidade dos trens

10 bilhões de euros estão sendo investidos nas construções das novas galerias ferroviárias. Boa parte deste dinheiro vem dos impostos pagos sobre o volume de mercadorias transportadas. O ministro Moritz Leuenberger voltou a defender uma estratégia comum aos países transalpinos para superar os obstáculos jurídicos, técnicos do setor e assim criar uma alfândega mais simples.

Ele também criticou a falta de pontualidade dos trens “Apenas três trens de um total de quatro chegam ao destino com menos de uma hora de atraso”, pontualizou Moritz Leunberger. E isto é culpa dos nós ferroviários em pontos chaves como Milão, por exemplo.

Os helvéticos sabem que estão numa posição estratégica, quase no cruzamento das linhas Norte-Sul, Roterdã a Gênova e Leste-Oeste, de Lisboa a Kiev, ambos importantes corredores de escoamento do comércio da União Européia. E o fato de não fazer parte da UE não significa estar isento das suas responsabilidades. “Temos as montanhas e temos interesse que o sistema de transportes seja muito eficaz em todas as direções. A Suíça está no centro e representa um ponto crucial para todo o transporte na Europa. Nós temos o dever histórico de garantir a passagem dos Alpes e é o que estamos fazendo”, disse à Swissinfo o novo embaixador na Itália, Bruno Spinner, presente ao encontro.

Já para o professor da Universidade Suíça Italiana, Rico Maggi, a Confederação Helvética deve estar mais atenta às áreas de fronteira política. “Não adianta você construir uma bela malha ferroviária, com grandes túneis se do outro lado você não conseguir seguir adiante nas mesmas condições”, adverte Rico Maggi.

Fronteira cultural

“A Itália é um país de contradições. Tem os caminhoneiros que são como pequenas empresas. Nós na Suíça, ao contrário, somos orgulhosos da nossa escolha ferroviária, nossos cidadãos ajudaram a financiar uma importante rede de infraestrutura ferroviária. Felizmente, parece que a mentalidade italiana está para mudar. Aqui em Milão se nota que o motorista mal consegue dirigir tal è grande a quantidade de caminhões nas estradas. Os italianos que dirigem já perceberam que as mercadorias devem viajar de trem”, disse o ministro à Swissinfo.

Antes do fim da reunião o ministro Moritz Leuenberger viajou à Verona para um encontro sobre a segurança nas estradas com cerca de 30 ministros dos transportes da União Européia. Com relação às rodovias o governo suíço defende um controle maior sobre a duração do trabalho e o tempo descanso do motorista, além de campanhas publicitárias e a identificação dos trechos mais perigosos.

Na pauta das negociações está o combate aos caminhoneiros piratas. “Nós gostaríamos que o modelo suíço de cobrança sobre a carga-pesada fosse adotado por outros países, assim poderíamos uniformizar o sistema”, acrescenta Moritz Leunberger.

swissinfo, Guilherme Aquino, Milão


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