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Suíça tem pouco risco de terrorismo

Certas embaixadas em Berna e Genebra estão sempre sob vigilância.

(Keystone)

É pouco provável que a Suíça seja um alvo prioritário de terroristas islâmicos, embora haja riscos de ataques a interesses de certos países na Suíça.

A constatação é do coordenador dos serviços suíços de informação e do diretor do Centro Islâmico de Genebra, em duas entrevistas à imprensa suíça.

Os riscos existem, principalmente depois do 11 setembro nos Estados Unidos, mas os serviços suíços de informação nunca detectaram indícios concretos de grupos islâmicos que ameaçassem cometer atentados na Suíça.

A Suíça não é uma ilha

A revelação, rara, é do coordenador dos serviços suíços de informação, Jacques Pitteloud, em entrevista ao semanário suíço "L'Hebdo", editado em francês.

A questão volta à atualidade na Suíça, uma semana depois dos atentados de Madri e questiona-se se os serviços de informação e de polícia dispõem de meios legais e materiais para prevenir eventuais atentados.

Pitteloud afirma que a Suíça "evidente não é uma ilha", referindo-se à presença
de membros de grupos islâmicos no país. Ele afirma ainda que as investigações demonstraram que as áreas de atividade mais importantes, ao contrário do que muita gente pensa, "não são financeiras mas logísiticas e ideológicas".

Angelismo perigoso

O coodenador denuncia, no entanto, o "angelismo" existente na Suíça e reclama mais meios de ação legal.

Devido um escândalo revelado em 1989, em que 600 mil estrangeiros e 150 mil suíços estavam fichados na polícia federal, no contexto da guerra fria, as atividades dos serviços secretos foram estritamente regulamentadas. Está proibida, por exemplo, a escuta telefônica sistemática, a menos que haja forte suspeita.

"Renunciar à informação interna para evitar que ela faça besteira é uma atitude angelical e perigosa", afirma Jacques Pitteloud.

"Nosso dispositivo legal é suficiente mas falta recursos", afirma ao jornal "Le Temps", o deputado socialista Pierre Salvi, membro da Comissão de Política de Segurança da Câmara.

Ao mesmo jornal, o deputado liberal Jacques-Simon Eggly, membro da Comissão de Relações Exteriores, reclama mudanças na lei e afirma que "nesses últimos quinze anos, passamos do excesso ao ridículo".

Outra dificuldade é, não sendo membro da União Européia (UE), a Suíça não participa da Europol (polícia secreta européia) nem das informações oriundas do Tratado de Schengen (fronteiras comuns da UE), embora essa participação esteja sendo negociada atualmente.

Terrorismo vai durar

No entanto, segundo o coordenador dos serviços de informação, Jacques Pitteloud, "é preciso abandonar a ilusão de suprimir definitivamente o terrorismo (...) Será preciso aprender a viver com a realidade de que o terrorismo estará conosco por muito tempo".

Em entrevista ao semanário "Facts", em alemão, o diretor do Centro Islâmico de Genebra, Hani Ramadan, afirma que um atentado terrorista na Suíça não pode ser excluido mas que a posição tomada pela Suíça contra a guerra no Iraque, proporciona "uma certa proteção".

Ele afirma ainda ser possível que a Al-Qaïda tenha conexões na Suíça mas que recrutar membros no país "não tem sentido". Diz ainda que é preciso considerar as origens do terrorismo e que "o terrorismo de Estado é tão condenável quanto o praticado pelas organizações".

swissinfo

Breves

- Coodenador dos serviços de informação diz que ainda não houve indícios ou ameaças de atentados na Suíça.

- Jacques Pitteloud reclama mais recursos e mudanças na lei para um trabalho mais eficaz.

- Afirma ainda que será preciso aprender a conviver com o terrorismo porque suprimi-lo definitivamente é uma ilusão.

- Deputados também debatem mudanças na lei suíça mas estão divididos.

- Diretor do Centro Islâmico de Genebra afirma a posição da Suíça contra a guerra no Iraque garante "uma certa proteção".

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