Navigation

Suíça usa "arte" para combater imigração ilegal

Um abrigo pouco convidativo: os moradores dos containeres no Grisões preferem não aparefer na foto. swissinfo.ch

Depois de financiar um vídeo polêmico contra a imigração ilegal, o governo suíço recorre ao teatro popular para dissuadir africanos de emigrar para o país alpino.

Este conteúdo foi publicado em 30. outubro 2008 - 19:52

O estado dos Grisões, no leste da Suíça, aplica uma solução "criativa" com efeito igualmente "assustador": abriga candidatos a asilo político que tiveram seus pedidos rejeitados em containeres para dar lugar a novos refugiados.

Até o final deste ano, o número de pessoas que procuram asilo político na Suíça pode subir a até 14 mil, segundo estimativas do diretor da Secretaria Federal de Migração (OFM, na sigla em francês), Eduard Gnesa.

De janeiro a setembro de 2008 foram apresentados 10.351 pedidos de asilo, quase 30% a mais do que no mesmo período no ano passado. Isso colocou alguns governos estaduais, responsáveis por abrigar esses imigrantes, em estado de alerta.

No cantão (estado) dos Grisões, as autoridades nem pensam em construir novas moradias para asilados e decidiram transferir para containeres os que tiveram seus pedidos rejeitados, para dar lugar a novos candidatos.

Na área industrial Waldau, em Landquart, ao norte de Chur (capital dos Grisões), oito "rejeitados" (quatro argelinos, três iranianos e um afegão) esperam a repatriação, abrigados em três containeres de 2,5m por 6m.

Eles têm à disposição dois quartos de dormir e uma sala de estar aquecidos. Não há telefone nem guarda-roupas, mas um fogão. O chuveiro e o banheiro ficam numa barraca ao lado dos containeres.

"É meu filho que me prende à Suíça. Como posso aceitar um tratamento desses?", questiona um dos argelinos, que tem um filho de sete anos com uma suíça da região.

"Nunca pensei que eu pudesse cair a tal ponto", diz um iraniano. Os outros preferem não falar, com medo de que suas declarações possam ser usadas contra eles.

Política restritiva



Para Heinz Brand, esta é a receita certa. "Aplicamos uma política de asilo restritiva e coerente, que dá resultado. Em todo o caso, nos anos passados não tivemos problemas nessa área", explica o diretor de Polícia e Direito Civil dos Grisões.

Caso o número de candidatos a asilo continue aumentando, o estado estaria disposto a "instalar mais containeres. Não são latas de lixo, trata-se de instalações habitáveis", garante Brand. Ele acrescenta que a autoridade é "sensível para a situação de cada um" e que "essas pessoas podem permanecer aqui quanto tempo quiserem", enquanto aguardam a ordem de expulsão.

"Um verdadeiro estado policial"



A Secretaria Federal de Imigração diz desconhecer a existência de outros casos de abrigo em containeres. "É tarefa dos cantões providenciar a ajuda de emergência, conforme a Constituição Federal e respeitando a dignidade humana", ressalta o porta-voz da secretaria, Jonas Montani.

"Este cantão é um verdadeiro estado policial. Não entendo como se pode tratar seres humanos assim. As autoridades dos Grisões incomodam esses infelizes com regulamentos tão pedantes quanto absurdos", diz Daniel Stirnimann-Gentsch, da Associação "Miteinander Valzeina", que apóia candidatos a asilo que tiveram seus pedidos rejeitados.

Nos Grisões, a questão dos containeres não causou grande polêmica. A população parece concordar com a linha política das autoridades. Uma receita que pode inspirar também outros estados suíços.

Os estados dispõem de 10 mil vagas para abrigar asilados; 12 mil a 13 mil seriam necessárias. O Ministério da Defesa planeja disponibilizar três edifícios para asilados, caso o número deles continue aumentando.

O governo federal concede aos cantões 6 mil francos de ajuda de emergência por candidato a asilo "rejeitado" até a sua repatriação. Cada uma dessas pessoas recebe uma ajuda de 7,30 francos por dia para a subsistência.

swissinfo, Nicole della Pietra, Landquart

Vídeo e teatro para espantar

Depois de financiar junto com a União Européia, em 2007, um polêmico vídeo da Organização Internacional de Migração (OIM) para espantar imigrantes africanos, a Secretaria Federal suíça de Migração agora aposta no teatro popular para atingir o mesmo objetivo.

Segundo informações do jornal Le Temps, a partir de dezembro próximo, será apresentada no Mali e na República Democrática do Congo uma peça de teatro popular para advertir sobre os perigos da migração ilegal.

Para o período de 2008 a 2012, o governo suíço planeja investir anualmente 400 mil francos em projetos de prevenção contra a migração ilegal, principalmente em países da África.

Segundo a agência suíça de desenvolvimento e cooperação, o projeto "Strand migrants", realizado no Marrocos, viabilizou o retorno de 193 migrantes ao país entre março de 2007 e outubro de 2008.

"Mas nem a melhor campanha de informação sobre os perigos da 'migração ilegal' conseguirá dissuadir as pessoas que fogem de guerras e perseguições de buscar a proteção da Suíça", diz Yann Golay, porta-voz da Organização Suíça de Ajuda aos Refugiados (Osar).

Geraldo Hoffmann

End of insertion

Este artigo foi automaticamente importado do nosso antigo site para o novo. Se há problemas com sua visualização, pedimos desculpas pelo inconveniente. Por favor, relate o problema ao seguinte endereço: community-feedback@swissinfo.ch

Em conformidade com os padrões da JTI

Em conformidade com os padrões da JTI

Mostrar mais: Certificação JTI para a SWI swissinfo.ch

Os comentários do artigo foram desativados. Veja aqui uma visão geral dos debates em curso com os nossos jornalistas. Junte-se a nós!

Se quiser iniciar uma conversa sobre um tema abordado neste artigo ou se quiser comunicar erros factuais, envie-nos um e-mail para portuguese@swissinfo.ch

Partilhar este artigo

Modificar sua senha

Você quer realmente deletar seu perfil?