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Suíço co-produziu primeiro filme sobre o chorinho

Roda de choro na Penha durante a filmagem (divulgação)

"Brasileirinho", primeiro documentário de longa metragem sobre o choro, será exibido pela primeira vez neste sábado, no Festival de Berlim.

Rodado no Rio de Janeiro sob a direção do finlandês Mika Kaurismäki, o filme de 90 minutos foi co-produzido pelo suíço Marco Forster.

Brasileirinho, documentário de longa metragem sobre esse gênero musical tipicamente brasileiro, conseguiu um primeiro feito antes mesmo do lançamento: foi selecionado pelo Fórum Internacional, uma das mostras paralelas do Festival de Berlim.

A idéia do filme

O filme será exibido várias vezes durante a mostra, com estréia marcada para o dia 12 de fevereiro na capital alemã.

Músico amador apaixonado pelo choro e com velhas ligações com o Brasil, o suíço Marco Forster não sabia nada de cinema. "Tinha consciência que o único amador nessa história tinha de ser eu", afirmou a swissinfo. "Cometi alguns erros mas da próxima vez tentarei não repeti-los".

Ele conta que alguns músicos de choro que já conhecia lhe pediram para organizar shows na Europa mas que isso era difícil porque o gênero ainda é totalmente desconhecido no velho continente.

"Isso foi em março de 2003 e aí surgiu a idéia de fazer um filme para divulgar o choro", explica. No Rio, Forster encontrou o diretor finlandês Mika Kaurismäki, que já tem uma vasta obra e está radicado no Brasil. Seu documentário precedente foi Moro no Brasil, uma espécie de viagem pelo país mostrando a diversidade da música brasileira.

O filme foi lançado no Festival de Berlim em 2002 e posteriormente exibido no circuito cinematográfico e várias tevês européias. Brasileirinho, portanto, é o segundo documentário de Kaurismäki sobre a música brasileira.

"A idéia era fazer um filme popular de uma música que foi popular mas ficou sofisticada", afirma Marco Forster. "Os músicos toparam, imagino, porque sentiram nosso compromisso com a música e com eles", supõe o produtor suíço.

"O choro é anterior ao samba e Pixinguinha, por exemplo, era tão popular quanto Roberto Carlos", descobriu Forster.

Encontrar dinheiro

Mas, com o tempo, o samba foi ficando mais popular - porque mais simples e sempre cantado - enquanto o choro foi se transformando em música quase que exclusivamente instrumental.

Com o projeto do filme em mãos, começou a fase de procura de recursos para realizá-lo. Associaram-se então a Marco Forster Produções (Suíça), a Marianna Filmes Oy (Finlândia) e o Studio Uno Produções Artísticas Ltda (Brasil).

"O difícil para mim era a parte técnica de um filme mas a parte financeira não", afirma o produtor. Foi montado então um esquema de parcerias em que entraram subvenções de governos e emissoras de televisão como a DRS (Suíça) e as alemãs Arte e ZDF, que terão prioridade na difusão do filme.

No Brasil, o apoio veio do BNDES através da Lei do Audiovisual. Na Suíça, houve a Secretaria Federal de Cultura (OFC) ajudou no desenvolvimento do projeto. O orçamento total foi de aproximadamente 600 mil euros.

Projeto maior

Na verdade, Brasileirinho é a primeira etapa de um projeto maior de Marco Forster. As vendas internacionais do filme, com exceção da Suíça, Finlândia e Brasil, ficarão a cargo de uma empresa francesa especializada.

Os primeiros contatos para a distribuição comercial de Brasileirinho serão feitos durante o Festival de Berlim, onde também ocorre o segundo maior mercado de vendas cinematográficas da Europa, depois de Cannes, na França. Depois da distribuição em salas, o filme irá para as emissoras de televisão e posteriormente sairá em DVD.

Junto com o filme será lançado um CD com uma seleção de músicas tocadas em Brasileirinho. A terceira fase prevista é a realização de shows internacionais de chorinho.

Depois da primeira projeção, sábado, haverá uma festa em Berlim em que se apresentarão Paulo Moura, Yamandu Costa, Marcelo Gonçalves (do Trio Madeira Brasil) e a cantora Tereza Cristina.

O enredo

O documentário de 90 minutos parte da redescoberta do chorinho pelas novas gerações mas também conta a história desse gênero genuinamente brasileiro, contada e ilustrada pelos próprios músicos. "Não tem nenhum professor, nenhum intelectual", afirma Marco Forster.

"Queríamos mostrar a diversidade do chorinho, a gafieira, o choro cantado e a variedade de execução que vai do solo até grupos de 20 músicos", conta o produtor.

O fio condutor do filme, dividido em duas partes, é o Trio Madeira Brasil. A primeira mostra várias rodas de choro no Rio de Janeiro e depois um show criado para a produção, em Niterói, em que o Trio Madeira toca com convidados como Elza Soares, Guinga, Zezé Gonzaga e Paulo Moura.

Ao todo, cerca de 90 músicos participaram do filme, rodado em vídeo e ampliado para 35 milímetros, e som dolby digital.

Em recente declaração ao Jornal do Brasil, o diretor Mika Kaurismäki afirmou: "minha meta era captar a alma do choro, a sensação mágica e elo emocional único, a irmandade musical entre todos os envolvidos, músicos e platéia, característica de qualquer evento de choro de sucesso".

O produtor Marco Forster acha que o filme vai supreender, inclusive no Brasil. "Como não aparece na televisão nem toca no rádio, ninguém está acostumado a ver o choro assim, com belas imagens e um som espetacular".

Ele afirma que gostou tanto dessa primeira experiência como produtor que já tem outros dois outros projetos, mas que ainda é muito cedo para falar.

swissinfo, Claudinê Gonçalves

Breves

Brasileirinho tem 90 minutos e a história do choro é contada e ilustrada pelos próprios músicos.

O diretor finlandês Mika Kaurismäki tem uma longa carreira e este é seu segundo documentário sobre a música brasileira, depois de Moro no Brasil, em 2002.

Brasileirinho foi a primeira experiência como produtor do suíço Marco Forster.

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