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Suíço defende turismo ecológico no Ceará

Prainha do Canto Verde é lugar de pescadores e jangadeiros. www.fortalnet.com

Treze anos atrás, um cidadão suíço procurava um lugar tranqüilo para passar férias no litoral cearense.

Este conteúdo foi publicado em 24. julho 2003 - 17:14

Encontrou Prainha do Canto Verde, uma aldeia de pescadores, e está lá até hoje.

René Schärer tinha passado parte da vida voando pelo mundo todo como funcionário da então companhia aérea suíça Swissair.

Em 1990, quando queria tinhas umas férias tranqüilas, ele chegou por acaso a uma aldeia de pescadores 120 Km à leste de Fortaleza. Foi que "acendeu uma luzinha na minha cabeça, me dizendo que podia me estabelecer aqui", contou Schärer à reportagem de swissinfo.

Turismo como ameaça

Havia 20 anos que o suíço pensava em ter uma aposentadoria antecipada e achou que era o momento certo, quando estava em Prainha do Canto Verde.

Na vida profissional, ele afirma que tinha o hábito de ser confrontado a problemas de justiça social e ambiental. Na aldeia cearense, naquele momento, os pescadores estavam agitados, enfrentando um grileiro que dizia ter comprado as terras para implantar um projeto turístico, tirando o velho ganha-pão da população local.

Shärer constata então que o problema existe em todo o litoral do Ceará, onde foram investidos mais de 800 milhões de dólares em projetos turísticos, muitas vezes com financiamento do Banco Mundial, projetos que beneficiam os investidores e turistas estrangeiros mas não as populações locais.

O suíço aderiu então à Associação dos Moradores, que acabou ganhando a causa com o grileiro, depois de muita luta. "As pessoas viram como era importante ser unidas para melhorar a própria situação", explica Schärer.

O passo seguinte foi quebrar o monopólio na venda do peixe e obter melhores preços e garantir a sobrevivência do vilarejo, continua o suíço. Depois vieram projetos educacionais e a melhora do sistema sanitário.

Turismo como oportunidade

Garantida a pesca, a associação começou a pensar numa outra maneira de melhorar a situação econômica. "Começamos a falar de turismo em 1994", afirma Schärer. Até naquele momento recebíamos visitas apenas dos "Amigos da Prainha do Canto Verde", associação suíça que contribuia no financiamento dos projetos".

Pouco a pouco a idéia avançou e, em 1997, foi fundado um Conselho pelo Turismo com o intuito de demonstrar que uma comunidade de pescadores pode administrar de maneira autônoma e se beneficiar de um turismo que ajude a preservá-la e até reforçá-la.

Os moradores decidiram não construir um hotel mas receber turistas em suas casas. Os turistas comem a comida local e compram o artesanato. Jovens transformaram-se em guias para mostrar as belezas do ecossistema. Por essas razões, a escola continua sendo uma prioridade.

No futuro, afirma Schärer, será necessário determinar até que ponto é possível desenvolver a oferta turística sem mudar a identidade do vilarejo, um ponto de equilíbrio. "Se for preciso, o Estado deverá ter uma lei para limitar o fluxo de turistas", admite.

Em 1999, o projeto de ecoturismo comunitário de Prainha ganhou um prêmio em Berlin, na Alemanha.

Troca de experiências

Se está dando certo no Ceará, por que não daria em outro lugar?

Graças ao apoio financeiro da Fundação suíça pela Solidariedade no Turismo (SST) e dos Amigos de Prainha do Canto Verde, foi realizada, em maio, em Fortaleza, o primeiro Seminário Internacional sobre Turismo Sustentável.

Participaram representantes da Unctad (conferência da ONU para o comércio e o desenvolvimento) de ONGS da América Latina, Europa e Ásia, governo do Ceará e governo federal.

Em termos de contatos e de idéias, o encontro superou todas as expectativas, segundo René Schärer.

swissinfo, Doris Lucini
(adaptação: Claudinê Gonçalves)

Breves

- Em 1993, 4 jangadeiros de Prainha do Canto Verde viajaram 76 dias até o Rio de Janeiro, para protestar contra a pesca predatória da lagosta, a especulação imobiliária, a falta de apoio para a pesca artesanal e exploração desenfreada do turismo no litoral cearense.

- Em 1999, foi reativada a Fundação pró lagosta, com a finalidade de ajudar no ordenamento da pesca, fiscalização e pesquisa.

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