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Swiss Re abrirá companhia local no Brasil

Swiss Re é a a maior resseguradora do mundo.

(Keystone)

Quando o mercado de resseguros do Brasil foi aberto há três anos, a suíça Swiss Re optou por atuar como “companhia admitida”, categoria que tem uma autorização limitada para absorver riscos e exige apenas um depósito de US$ 5 milhões como garantia de operações.

No fim de agosto a Swiss Re decidiu se tornar uma companhia local para disputar uma fatia de 40% de reserva de mercado a qual não tinha acesso.

O pedido de registro na categoria “companhia local”, que está sendo analisado pela Superintendência de Seguros Privados (Susep), significará a ampliação do leque de clientes da Swiss Re no Brasil, assim como a expansão de seus quadros para atender a um mercado em franco crescimento por conta dos grandes projetos de infraestrutura. Em entrevista exclusiva à swissinfo.ch, o diretor comercial da Swiss Re para o Brasil e o Cone Sul, Rolf Steiner, explica os motivos da mudança, fala sobre o aporte inicial de US$ 75 milhões para a nova companhia e das expectativas da empresa sobre seu crescimento no Brasil:

Quais foram os fatores que determinaram a decisão da Swiss Re de pedir o registro para abrir uma companhia local no Brasil? 

Dois motivos combinados fazem com que agora seja interessante para a Swiss Re se tornar uma empresa local no Brasil. O motivo número um certamente são as novas resoluções no Brasil para o mercado de resseguros, que geram claras vantagens para aquelas companhias resseguradoras que estão se instalando de forma local no país. Fizemos uma análise econômica e, em função de seu resultado, percebemos uma mudança importante em comparação às análises que fizemos anteriormente. As resoluções mostram que a partir de agora é melhor seguir atuando no Brasil com base em um registro local.

O segundo motivo é que a visão do mercado brasileiro em todo o mundo foi se tornando muito mais interessante do que era antes. Observamos um crescimento da economia do Brasil e estimamos esse crescimento em 4,5% ao ano nos próximos anos. Sabemos que a indústria de seguros no Brasil tem uma taxa de crescimento muito interessante e muito superior a de outras partes do mundo e também que teremos pela frente um grande desenvolvimento do seguro comercial em relação aos projetos de infraestrutura. O mundo está em busca de oportunidades para investir e crescer no futuro, e o Brasil, sem dúvida, é uma dessas grandes oportunidades. Então, é um lugar onde a Swiss Re quer ficar.

O que essa mudança de status significará em termos de investimentos financeiros e de aumento no pessoal da empresa no Brasil? 

A Swiss Re vai capitalizar a nova companhia local com um aporte inicial de US$ 75 milhões, e temos também a opção de aumentar esse montante até US$ 100 milhões caso tenhamos muito mais negócios do que o esperado e mais necessidade de capital para apoiar. Quanto a investimento em pessoal, hoje a Swiss Re, mesmo com status de companhia admitida, tem um escritório bastante grande no Brasil. Nossa infraestrutura, na verdade, independe de sermos ou não uma companhia local, pois a qualidade dos serviços que oferecemos a nossos clientes permanece igual.

Temos um plano de crescimento do pessoal, em linha com o esperado crescimento do negócio. Acredito que dentro de um ano teremos mais ou menos o dobro do pessoal que temos agora, passando das atuais 32 pessoas para cerca de 60 pessoas em São Paulo. Obviamente, parte desse pessoal é necessário para administrar a companhia, para produzir os dados financeiros, mas também é importante dizer que a Swiss Re chega com conhecimento de subscrição, por isso queremos posicionar subscritores para servir às companhias, especialmente no setor de seguro comercial que é nosso ponto forte. Achamos que esse know-how vai se converter em negócios para a Swiss Re também para a realização das grandes obras de infraestrutura.

Quais as estimativas de crescimento da Swiss Re no Brasil? Em quais segmentos a empresa pretende fortalecer sua presença nos próximos anos? 

Nosso objetivo é chegar, em um prazo de cinco anos, a um prêmio de US$ 285 milhões. A Swiss Re quer ser uma resseguradora que opera em todas as linhas, diferentemente de algumas de nossas concorrentes aqui que muitas vezes são quase monolines. Acho que a Swiss Re chega ao mercado com uma solução integral para proteger todas as necessidades dos clientes. Nosso portfólio está bem distribuído em várias linhas de negócio, não temos uma linha particularmente dominante. Hoje, somos fortes em agricultura e garantia e somos muito ativos também no setor de seguros de vida.

Será difícil operar em algumas linhas que são mais voltadas a commodities, então buscaremos mais oportunidades em certos segmentos e nichos que são menos atendidos. Esperamos participações no setor marítimo, no setor de energia, estamos crescendo agora também em engenharia e estamos começando a operar em saúde. Então, existe uma boa diversificação entre todas as linhas.

Segundo analistas, a principal concorrente mundial da Swiss Re, a empresa alemã Munich Re, detém atualmente cerca de 20% do mercado de resseguros no Brasil. A Swiss Re pretende atingir patamar semelhante? Existe uma estimativa de tempo para isso? 

Primeiro, quero dizer que respeito essas estimativas de mercado que falam em 20% de participação para nossa principal concorrente, mas esse número não coincide com o aquele que nós levantamos. Mas, independentemente disso, a Swiss Re não orienta seus planos de negócios pelos concorrentes. O nosso negócio se caracteriza pela perspectiva de ganhar dinheiro e gerar valor para nossos clientes e nossos acionistas. Em nossa análise de onde estão as oportunidades rentáveis no Brasil para se chegar em cinco anos ao prêmio de US$ 285 milhões, vimos que isso vai significar uma participação no mercado de mais ou menos 17,5 %.

Imune à crise

Indagado se o cenário de incerteza econômica global influencia o mercado de resseguros brasileiro, o diretor da Swiss Re afirma que a empresa não observou nenhuma consequência no mercado de resseguros em geral decorrente das dificuldades econômicas que neste momento atingem a Europa e os Estados Unidos: “Acho que o Brasil é um exemplo, pois tem uma sobre-capacidade enorme em muitas linhas que, felizmente para o consumidor e para as companhias, se convertem em preços muitos bons. Os preços estão muito baixos e não vemos nesse momento sinais de que essa situação vá mudar”, diz Rolf Steiner.

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