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Telecom World 2003: a busca de novos caminhos

Telecom mundial, em Genebra. Keystone

No setor das telecomunicações passou-se de um otimismo exagerado ao pragmatismo, com procura de novas fórmulas menos arriscadas de expansão.

Este conteúdo foi publicado em 18. outubro 2003 - 10:44

Banda larga, wireless, novos serviços, segurança são termos na moda na maior mostra do gênero.

Organizada em Genebra de 11 a 18 de outubro, pela União Internacional das Telecomunicações, a “ITU Telecom World 2003” é a única vitrine global do setor.

A exposição reúne as grandes empresas de telecomunicações em busca de um mercado promissor, apresentando novos produtos e serviços.

É uma mostra voltada quase que exclusivamente para os especialistas, propiciando contatos, informações, troca de idéias e possibilidade de negócios.

Ao público reserva-se apenas o último dia do evento que acontece desde 1971, todos os 4 anos, e que não deixa ninguém indiferente, pois as novas tecnologias vêm invadindo a nossa vida.

Em relação à exposição precedente, nota-se que nos últimos anos, os empresários ficaram muito mais prudentes. Quando da Telecom de 1999 a euforia era grande. Fracassou, porém, a expectativa de que novos produtos e serviços fossem se implantar rapidamente. Mas o mercado entrou em crise e muitas start-ups (novas empresas) do setor faliram.

Banda larga e WAP

Na ocasião da exposição de há 4 anos, a maior revolução era a tecnologia do WAP (sigla inglesa para Wireless Application Protocol) que permite acessar a Internet através de um telefone móvel (mobile). Tecnologia que não deu muito certo: o sistema é lento e o serviço ainda insatisfatório.

“Quando se falava de "mobile" havia uma expectativa de que (com a utilização de modelos apropriados) fosse uma realidade hoje a transmissão de dados a alta velocidade através da banda larga. Isso já é possível, mas não é realidade do mercado”, constata Vladimir Batista, gerente de produto de rede, da filial brasileira da empresa chinesa ZTE.

Vladimir lembra que está se concretizando a transmissão rápida de filmes, fotos ou informações, através do telefone móvel: “É realmente possível, mas ainda não é uma realidade de mercado”, enfatiza.

“Triple play”

Parece, porém, haver bastante expectativa atualmente em torno do que se denomina “triple play” que consiste levar ao usuário, além do texto, a voz e o vídeo, através das linhas de banda larga.

E é também nessa mesma direção que a Microsoft realizou demonstrações em Genebra de sua proposta de IPTV , ou seja, uma nova tecnologia, atualmente aperfeiçoada, que constitui “um novo padrão de difusão televisiva”.

A empresa exalta os méritos desse serviço que – dentro de um ano – deve permitir fornecer filmes, vídeos, jogos e música, enquadrados por sistemas especiais de codificação, difusão, recepção e gestão dos direitos autorais.

Compressão

No que diz respeito ao “triple play”, Vladimir Batista destaca um desafio: vencer a distância que separa o usuário das centrais de difusão. Para isso, “é preciso comprimir para enviar mais informações em menos pacotes”.

As empresas estão conscientes de que não basta ter a capacidade de produzir tecnologia. É preciso uma estrutura que inclua, por exemplo, a segurança, respeito a regulamentação, capacidade de memória e atratividade. E acima de tudo, o serviço precisa ser atraente para convencer as pessoas as adquiri-lo.

Segundo Batista, “são esses tipos de fórmulas” que mais interessaram os especialistas na Telecom 2003.

Viabilidade

“Os consultores têm propostas e querem saber como ela funcionaria em outros países”.

Ele constatou que na China, Japão e Coréia, por exemplo, o interesse pelo karaokê é enorme. Através da tecnologia “vídeo on demand” se pode oferecer karaokê pela Internet, diz o representante da ZTE. Um serviço interessante nesse setor pode atrair o usuário.

E de fato, verificou-se na Telecom que a atual preocupação é saber se tal ou tal projeto é viável, se interessa, se é de aplicação imediata, se é rentável. Estamos, portanto, longe da euforia do fim dos anos 90.

Wireless

A bolha especulativa em torno das starts-ups, a crise que se seguiu, teria sido uma boa lição. Hoje as empresas e os investidores estão mais realistas, mais prudentes.

Mas além da banda larga, os especialistas acreditam que a tecnologia wireless (sem fio) tem grande potencial. Bill Gates, o patrão de Microsoft aposta nesses dois segmentos.

Essa tecnologia já é, aliás, operacional em pequena escala. Funciona, por exemplo, em alguns aeroportos e em saguões de hotéis de luxo. (E tem também algumas aplicações domésticas para conexões, como entre o toca-CDs e a TV numérica).

O problema é não ser segura porque funciona com o sistema de ondas radioelétricas. Os piratas da área informática podem então facilmente entrar num programa de computador... com conseqüências imprevisíveis.

swissinfo, J.Gabriel Barbosa, Genebra

Breves

Segundo a União Internacional das Telecomunicações, UIT:

- um quinto da população mundial tem ou utiliza um telefone móvel. A proporção era de 1 para 339. Chegam a 1.2 bilhão, dos quais 48% se encontram nos países em desenvolvimento.

- Desde 2002, os telefones móveis ultrapassaram os telefones fixos.

- O aumento das linhas telefônicas passaram de 1 bilhão e meio a 2.5 bilhões.

- Na China, em 2001, 200 mil pessoas tinham acesso à banda larga.

- No ano seguinte a cifra saltou para 3 milhões, para um país de mais de mais de 1 bilhão de habitantes e duzentos milhões de habitantes (num território de 9.6 milhões de km2.

- Na Coréia do Sul, 60 % das residências têm banda larga.

- No Brasil, estamos abaixo de 1%.

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