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(Maio) O presidente americano, Donald Trump, em visita à Arábia Saudita

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O presidente americano, Donald Trump, expressou nesta terça-feira (6) seu claro apoio à campanha diplomática e econômica da Arábia Saudita e de outros países da região para isolar o Catar, acusado de "apoiar o terrorismo".

Em um inesperado movimento contra um aliado-chave, Trump afirmou que o isolamento do Catar "pode ​​ser o início do fim do horror do terrorismo", sugerindo que "todos os elementos apontam para o Catar" em relação ao financiamento do extremismo.

Os países do Golfo disseram "que adotariam uma linha dura contra o financiamento do extremismo e todos os elementos apontam para o Catar", tuitou Donald Trump.

O emirado é acusado de ter ligações com a rede Al-Qaeda, com o grupo Estado Islâmico (EI) e com a Irmandade Muçulmana, classificados como "terroristas" por alguns países árabes.

Donald Trump já havia se expressado no Twitter esta manhã, atribuindo o isolamento do Catar a sua recente visita à Arábia Saudita, a qual foi centrada na luta contra o islamismo radical.

"Durante minha recente viagem ao Oriente Médio, afirmei que o financiamento da ideologia radical deveria parar. Os líderes apontaram o Catar - E olhem!", escreveu o presidente dos Estados Unidos.

Na noite desta terça-feira, Trump defendeu a "unidade" dos países do Golfo em uma conversa por telefone com o rei Salman da Arábia Saudita.

"Os dois dirigentes discutiram sobre os objetivos fundamentais para impedir o financiamento de organizações terroristas e a promoção do extremismo", informou a Casa Branca, acrescentando que Trump "destacou que a unidade do Conselho de Cooperação do Golfo é crucial para vencer o terrorismo e promover a estabilidade na região".

O Catar abriga a maior base aérea americana na região, sede do comando militar dos Estados Unidos para o Oriente Médio. Essa base é crucial para a luta contra o grupo Estado Islâmico na Síria e no Iraque, liderada pela coalizão internacional dirigida por Washington e da qual Doha faz parte.

A esse respeito, o porta-voz do Pentágono, Jeff Davis, garantiu que as operações militares americanas no Catar "não foram afetadas" pela crise.

"Não teve impacto em nossas operações no Catar, ou no que se refere às permissões de voo ao seu redor", afirmou.

Na segunda-feira (5), Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Egito e Iêmen romperam relações diplomáticas com o Catar.

Em declarações em Paris, nesta terça, o ministro saudita das Relações Exteriores, Adel Al-Jubeir, o Catar deve "mudar de política", "parar de dar apoio aos grupos extremistas" e "aos meios de comunicação hostis" e deixar de intervir nos assuntos de seus vizinhos.

Medidas econômicas foram adotadas, como o fechamento das fronteiras terrestres e marítimas, a proibição de voo imposta às companhias aéreas do Catar e restrições de viagem às pessoas. Seis companhias do Golfo suspenderam - "até novo aviso" - seus voos de e para Doha, impedindo os passageiros de viajar.

No site da Dubai Airports, todos os 27 voos com destino para Doha estavam marcados como "cancelados".

A Aviação Civil saudita também proibiu as companhias aéreas do Catar de sobrevoar o reino, o que deve resultar em desvios, atrasos e custos operacionais adicionais.

As autoridades sauditas também anunciaram nesta terça (6) que cancelaram a licença da Qatar Airways e decidiram fechar os escritórios da empresa "dentro de 48 horas".

Já a Qatar Airways anunciou, por sua vez, que suspendeu indefinidamente todos os voos para Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito. Em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos, filas se formavam em frente a uma agência da Qatar Airways.

Diante dessa situação, a Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA, na sigla em inglês) pediu que os laços sejam restabelecidos, advertindo para as graves perturbações para os viajantes.

"Aceitamos que os países têm o direito de fechar as fronteiras", mas "é preciso restabelecer a conectividade com o Catar o mais rápido possível", afirmou o diretor-geral dessa agência, Alexandre de Juniac.

- Mediação

Durante a madrugada, o Catar dava a impressão de buscar uma solução para a crise, pedindo um "diálogo aberto e honesto". Em entrevista à Al-Jazeera, o chefe da diplomacia do emirado, xeque Mohamed Bin Abdul Rahman Al-Thani, assegurou que não haveria "escalada" por parte do Catar.

Hoje, o chanceler dos Emirados Árabes Unidos, Anwar Gargash, declarou que, primeiro, é preciso "restaurar a confiança", exigindo "um roteiro com garantias", a fim de retomar o diálogo com Doha.

Vários países tentavam mediar a crise - a pior desde a criação em 1981 do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC). Entre eles, está o Kuwait, que não rompeu relações com o Catar. Seu emir, Sabah Al Ahmad Al-Sabah, viajou nesta terça para a Arábia Saudita para mediar a crise. A Turquia, que tem laços estreitos com as monarquias do Golfo, também defendeu o diálogo.

Na segunda-feira à noite, o rei saudita Salman recebeu um telefonema do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, e, nesta terça, o porta-voz do governo turco afirmou que Erdogan iniciou "esforços diplomáticos".

Na Europa, o ministro alemão das Relações Exteriores, Sigmar Gabriel, acusou Trump de fomentar conflitos no Oriente Médio, em alusão à recente visita do presidente dos EUA a Riad. Nela, o americano anunciou contratos de vendas de armas no valor recorde de pelo menos US$ 110 bilhões.

"Essa 'trumperização' das relações em uma região por si só presa a crise é particularmente perigosa", disse o ministro ao jornal econômico Handelsblatt, em entrevista que deve ser publicada nesta quarta.

O Catar também foi excluído da coalizão militar árabe liderada por Riad que combate os rebeldes pró-iranianos no Iêmen. Além disso, é acusado de apoiar grupos radicais islâmicos e de não tomar distância suficiente do Irã, rival da Arábia Saudita.

Rico país de política externa controversa, o Catar havia inicialmente reagido com indignação à decisão anunciada por Riad e seus aliados, acusando os vizinhos de querer "colocá-lo sob tutela" e asfixiar sua economia.

O Catar sempre seguiu sua própria política regional, afirmando sua influência pelo esporte - sediará a Copa do Mundo de futebol de 2022 - e pela imprensa, com a Al-Jazeera, cujos escritórios foram fechados em Riad na segunda-feira.

AFP