Trump critica Europa ‘decadente’ e defende eleições na Ucrânia
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, criticou em entrevista publicada nesta terça-feira (9) o que considera uma Europa “decadente”, governada por alguns líderes “estúpidos” e com uma política migratória “politicamente correta” demais.
Em declarações ao site Politico, Trump também questionou a impotência dos europeus diante da guerra na Ucrânia e reiterou seu apelo por eleições nesse país invadido pela Rússia em 2022.
O republicano, cujo governo acaba de emitir uma nova doutrina de segurança nacional na qual defende abertamente apoiar a “resistência” na Europa às políticas de Bruxelas, demonstrou uma atitude ambivalente em relação ao compromisso americano com o continente.
“Gosto de todos eles. Não tenho inimigos reais”, disse Trump ao Politico sobre os líderes da União Europeia (UE) na entrevista gravada em vídeo, realizada na segunda-feira.
“Alguns são amigos […] Conheço os maus líderes, conheço os inteligentes, conheço os estúpidos. Há alguns realmente estúpidos”, acrescentou.
O bilionário de 79 anos, cuja ascensão política se baseou em uma linguagem incendiária sobre os imigrantes, afirmou que as políticas europeias sobre imigração são um “desastre”. “A maioria dos países europeus está em decadência”, insistiu.
“Eu adorava Paris. É um lugar muito diferente do que era. Se você olhar para Londres, tem um prefeito chamado Khan. É um prefeito horrível, perverso, repugnante”, disparou sobre o esquerdista Sadiq Khan, o primeiro prefeito muçulmano da capital britânica.
Em resposta, Khan disse ao Politico que Trump estava “obcecado” por ele e que cidadãos americanos estavam “indo em massa” morar em Londres.
– ‘Politicamente corretos’ –
Sobre a imigração na Europa, Trump declarou: “Eles vêm de todos os lugares do mundo. Não apenas do Oriente Médio, vêm da [República Democrática do] Congo. E pior ainda, vêm das prisões do Congo e de muitos outros países”.
Segundo ele, os líderes europeus “querem ser politicamente corretos e não querem devolvê-los [ao lugar] de onde vieram”.
A União Europeia aprovou na segunda-feira um endurecimento de sua política migratória, em pleno auge dos governos conservadores e de coalizões com a presença da extrema direita.
Entre as novas medidas está a abertura, fora do bloco, de centros de acolhimento de imigrantes cujas solicitações de asilo tenham sido rejeitadas.
Trump também ironizou sobre a dependência dos europeus da proteção militar dos Estados Unidos.
“A Otan me chama de papai”, disse ele, referindo-se aos comentários do líder da aliança militar, Mark Rutte, em uma cúpula em junho, quando os líderes apoiaram o apelo de Trump para aumentar os gastos com defesa.
– Eleições na Ucrânia –
Quando questionado sobre sua vontade de intervir nos processos eleitorais na Europa, o magnata admitiu ter “apoiado Viktor Orban”, o primeiro-ministro da Hungria, que “faz um trabalho muito bom, de uma maneira diferente, em termos de imigração”.
“Não vejo a necessidade de os americanos quererem salvar agora a democracia na Europa”, reagiu o chefe do governo alemão, Friedrich Merz, nesta terça-feira.
Trump também teve palavras duras para a Ucrânia e Zelensky, em sua última oscilação nas relações com o líder, a quem chamou de “ditador sem eleições” em janeiro e depois repreendeu no Salão Oval em fevereiro.
“Acho que é um momento importante para realizar eleições. Eles estão usando a guerra para não realizar eleições”, apontou o republicano.
Os líderes ucranianos “falam de democracia, mas chegamos a um ponto em que já não é uma democracia […] O povo ucraniano deveria ter essa opção”, enfatizou.
Sem a lei marcial, as eleições presidenciais da Ucrânia teriam sido realizadas em março de 2024.
Trump reiterou as críticas que fez no domingo a Zelensky, quando o censurou por não ter lido o plano americano para pôr fim à guerra.
“Talvez ele tenha lido durante a noite. Seria bom que ele lesse. Muitas pessoas estão morrendo”, declarou.
Após os comentários de Trump, Zelensky disse nesta terça que estava “pronto para as eleições” se a segurança fosse garantida.
Ele acrescentou que esperava enviar na quarta-feira a versão atualizada pela Ucrânia do plano americano.
bur-jz/dga/ic/aa/yr/ic/rpr