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Universidade forma tradutores de Português

Fabiana Macchi na Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique. swissinfo.ch

A partir de outubro, a formação será ainda mais atrativa com a entrada em vigor do sistema de Bolonha e o reconhecimento de diplomas em toda a Europa.

Este conteúdo foi publicado em 23. fevereiro 2006 - 19:01

A reponsável pelo curso, Fabiana Macchi, explica que trabalha com material didático do Brasil e de Portugal, para ampliar perspectivas.

"O Brasil é um grande mercado para tradução e o Português é uma das línguas oficiais da União Européia. Então acho que a tendência é positiva", afirma Fabiana Macchi, professora no Instituto de Tradução e Interpretação da Universidade estadual de Ciências Aplicadas de Zurique.

Mercado de trabalho

Em 2004, ela foi chamada pela Faculdade de Lingüistica Aplicada da Universidade estadual de Ciências Aplicadas de Zurique para implantar o curso de tradutores em português, única formação a nível acadêmico na Suíça de expressão alemã.

A professora gaúcha - com mestrado em tradução na Universidade de Mainz, na Alemanha, onde também lecionou - explica que existem três categorias de línguas em matéria de tradução: A, para as línguas maternas; B, para a primeira língua estrangeira e C, para as línguas ditas complementares como o Português. O objetivo, dependendo do interesse, é alçar a língua portuguesa à categoria B.

Também há critérios para a seleção de candidatos ao curso de tradução e é exigido o nível B2, que requer bom conhecimento da língua portuguesa para ser admitido.

Ampliar perspectivas

Acerca das diferenças entre o Português de Portugal e o do Brasil, Fabiana Macchi responde que faz questão de trabalhar com material didático dos dois países e de incentivar a competência nas duas normas. "O importante é ampliar e não restringir o mercado de trabalho dos futuros tradutores".

A partir de outubro próximo, haverá mudanças na formação de tradutores com a introdução de um bacharelado de três anos, acompanhando a adaptação de todas as universidades suíças ao sistema de Bolonha, para harmonização das universidades européias.

O bacharelado em tradução terá dois ramos de formação: comunicação técnica e comunicação intercultural, opções que poderão ser melhor adaptadas ao mercado de trabalho. Outra vantagem da incorporação ao sistema de Bolonha será o reconhecimento automático de diplomas em toda a Europa. "Será sem dúvida um fator de maior atratividade para os profissionais", afirma a professora.

Tradução literária

Em paralelo aos cursos no Instituto de Tradução, da preparação de uma tese de doutorado e das aulas de Alemão que ministra, Fabiana Macchi também é tradutora literária de autores alemães, austríacos e suíços.

Seu último trabalho, publicado no Brasil pela editora DBA, é um romance de Aglaja Veteranyi, romena radicada na Suíça e que escreve em alemão. "Porque a criança cozinha na polenta" conta a história de uma família de artistas de circo que foge da ditadura de Ceausescu para a Europa ocidental em busca do sonho de liberdade, riqueza, fama e felicidade.

"O livro teve uma boa aceitação no Brasil e a autora é de bastante sucesso na Suíça", conclui Fabiana Macchi.

swissinfo, Claudinê Gonçalves

Fatos

8 de abril 2006: jornada de portas abertas no Instituto de Tradução e Interpretação da Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique, das 10 às 16 horas.
10 de maio 2006: dia de informações gerais no Instituto de Tradução e Interpretação da Universidade de Ciências Aplicadas de Zurique.

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