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Vendas da Syngenta explodem diante da crise alimentar

Plantação de milho transgênico.

O faturamento global da multinacional suíça do agronegócio cresceu 28% para 3,7 bilhões de dólares no primeiro trimestre de 2008. A receita da venda de sementes na América Latina aumentou 71% no período.

A Syngenta prevê que os preços dos alimentos continuarão subindo e pede a derrubada de barreiras comerciais. A ONG Declaração de Berna faz duras críticas à atuação da empresa em países em desenvolvimento.

Os preços recordes de muitos alimentos básicos proporcionaram um surpreendente aumento do faturamento da multinacional suíça Syngenta, maior conglomerado agroquímico do mundo, no começo deste ano.

"Tivemos um crescimento amplo em todas as regiões e em todos os produtos", disse o diretor de finanças da empresa, John Ramsay, à agência de notícias Reuters.

Segundo ele, diante dos altos preços dos alimentos, agricultores em todo o mundo estão muito interessados em aumentar a produtividade e, por isso, recorrem cada vez mais a sementes geneticamente modificadas e ao uso de herbicidas.

Apesar do aumento dos preços dos alimentos, a Syngenta é contra uma renúncia aos biocombustíveis. "As áreas cultiváveis existentes são suficientes para cobrir tanto a demanda de alimentos quando a de biocombustíveis", disse o vice-presidente do grupo, Martin Taylor.

Milho para biocombustítivel

Além da elevação de 3% dos preços dos produtos da Syngenta e do dólar fraco, o aumento das vendas de milho destinado à produção de biocombustível contribuiu para o bom desempenho da multinacional nos três primeiros meses do ano.

Na área de herbicidas, em que a empresa sediada na Basiléia é líder mundial, o faturamento foi de 2,6 bilhões de dólares – 22% a mais do que no mesmo período no ano passado. Isso resultou do bom início de temporada no hemisfério norte e da forte dinâmica na América Latina, informou a empresa em um comunicado divulgado nesta terça-feira.

Segundo a Syngenta, na Europa Ocidental e no Leste Europeu houve um forte crescimento das vendas porque os agricultores ampliaram e intensificaram o uso de áreas de plantio de milho e cereais.

No ramo dos chamados "novos produtos", cresceu 24% para 487 milhões de dólares. Na área de sementes, em que a empresa ocupa a terceira posição no mercado mundial, a receita foi de 1,1 bilhão de dólares, 13% a mais do que no primeiro trimestre de 2007.

Segundo a Syngenta, em função da crescente demanda de alimentos e biocombustíveis, "espera-se que a indústria mundial de sementes se expanda dos atuais 22 bilhões de dólares para 35 bilhões de dólares em 2020".

Bons negócios na América Latina

Nessa área, o faturamento da multinacional na América Latina aumentou 71%, passando de 20 milhões de dólares no primeiro trimestre do ano passado para 33 milhões de dólares no primeiro trimestre de 2008 - o maior crescimento entre todas as regiões.

Nos EUA, a expansão das vendas de sementes de soja compensou a redução da área cultivada com milho. Já na Europa, na América Latina e na Ásia houve um forte aumento do faturamento justamente com milho.

A Syngenta espera bons negócios para 2008. Embora não acredite num crescimento anual igual ao do primeiro trimestre, o conglomerado prevê um lucro de 20% por ação, conforme já havia prognosticado há três semanas.

Aumento dos preços dos alimentos

Segundo o diretor de finanças, John Ramsey, o aumento de preços dos produtos da Syngenta, de 3% no primeiro trimestre, é "realista para a média prevista para este ano". O reajuste serviria para compensar custos adicionais causados pelo aumento dos preços de petróleo, que somariam 60 milhões de dólares em 2008.

Ramsey disse que, para conter a disparada dos preços dos alimentos é preciso derrubar barreiras comerciais. Com o uso de mais tecnologia também seria possível aumentar, por exemplo, a produção mundial de arroz.

"Mas mesmo que os agricultores produzam mais, os preços dos alimentos continuarão subindo nos próximos dois a três anos", afirmou.

Críticas à multinacional

A organização ambientalista e política desenvolvimentista Declaração de Berna (EVB, na sigla em alemão) fez duras críticas à multinacional.

"Em países do Terceiro Mundo, os produtos da Syngenta põem em risco a saúde de quem os usa. E, através das sociedades de seguros da própria empresa em paraísos fiscais, o conglomerado priva de valiosas receitas os países em que produz", declarou a ONG.

swissinfo com agências

Fatos

Líder mundial nos agronegócios, a Syngenta tem sua sede principal na Basiléia, onde trabalham 1.120 dos seu 2.470 funcionários na Suíça. A empresa ainda tem filiais em Stein, Schweizerhalle, Münchwilen, Kaisten, Dielsdorf e Monthey.

Além da liderança no mercado herbicidas, a Syngenta ocupa o terceiro lugar no mundo na venda de sementes.

Em 2007, teve um faturamento de 9,2 bilhões de dólares. A Syngenta emprega 21 mil pessoas – cerca de 4 mil nas áreas de pesquisa e desenvolvimento – em 90 países

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