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Viver em Nova Iorque cinco anos depois

Modelos dos primeiros arranha-céus a serem construídos no Ground Zero, em Nova Iorque. swissinfo.ch

"Era um dia maravilhoso nesse final de verão, com um céu de azul profundo sobre Manhattan", costumam dizer os habitantes de Nova Iorque quando se lembram da tragédia de 11 de setembro de 2001.

Este conteúdo foi publicado em 11. setembro 2006 - 20:01

Depois do choque, a vida retorna à normalidade em Nova Iorque. Uma repórter da swissinfo entrevista dois suíços que vivem na grande metrópole.

O céu azul ficou gravado na memória das pessoas, assim como as imagens da queda das torres gêmeas e outras cenas inacreditáveis que ocorreram nesse dia.

Hoje em dia essas imagens não pertencem mais ao cotidiano dos habitantes de Nova Iorque. Mas no aniversário de cinco anos dos atentados de 11 de setembro, elas voltam com força total.

A consciência: um atentado

Daniel A. Wuersch, um advogado suíço cujo escritório estava distante apenas 500 metros do World Trade Center: "Eu estava dirigindo o meu carro vindo de Nova Jersey, quando vi gigantescas nuvens de fumaça sobre o World Trade Center. Era um belo dia no final do verão".

Muito parecido fala Vreni Keller, empresária na área de importação de chocolates e que vive em Union City, localidade do outro lado do rio Hudson, em Nova Jersey. Do seu apartamento é possível ver diretamente a ponta sul de Manhattan.

"Da minha casa eu estava vendo a fumaça, quando então liguei para meu marido em Manhattan e, ao mesmo tempo, a televisão. Quando o segundo avião voou diretamente contra uma das torres, eu acabei tomando a consciência de que não poderia ser um acidente."

Wuersch escutou no rádio que um avião havia sido jogado contra a torre. Também logo depois, o segundo avião batia contra o outro prédio.

"Na mesma hora eu sabia que estava sendo cometido um atentado terrorista. A minha primeira preocupação foi com os meus doze funcionários."

Foram necessários quase dois dias até que o empresário conseguiu contatar todo o seu pessoal. "Graças a Deus, não aconteceu nada de ruim a ninguém."

Vreni Keller pegou o seu carro e foi à escola da filha, para levá-la de volta a casa. "Eu só sabia que queria tê-la perto de mim."

O medo não domina o dia-a-dia

Hoje em dia, a lembrança dos atentados de 11 de setembro já não fazem mais parte do cotidiano de Wuersch e Keller.

"Até agora não aconteceu mais nada. Porém isso pode ser a calmaria antes da tempestade", declara cética Wuersch.

Também Vreni Keller tenta não se lembrar desse fatídico dia. Porém, por uma questão de segurança, ela decidiu não mais utilizar o metrô.

Guerra do Iraque foi um erro

Sobre a política conduzida pelo governo Bush na sua guerra contra o terror, Wuersch tem uma opinião precisa: - "De fato, esse não é o caminho correto. Cada vez menos pessoas têm confiança nesse governo."

A guerra no Iraque foi um passo que mais trouxe prejuízos do que ganho para os Estados Unidos.

Também Keller não consegue se simpatizar com Bush. "Já está na hora de termos um novo presidente."

Wuersch sente-se tolhido na sua liberdade através das medidas tomadas pelo governo americano depois de 11 de setembro de 2001, apesar delas não terem afetado tanto a sua vida. "Continua sendo mais difícil de abrir uma conta de banco na Suíça do que aqui", conforma-se.

De certa forma, o atentado influenciou muito mais o relacionamento entre os Estados Unidos e a Europa. "Nesse caso os prejuízos foram enormes."

Também Vreni Keller não se sente muito afetada. "De uma forma geral eu vivo hoje como antes. Eu não me sinto mais segura, mas também não tenho mais medo do que naquela época".

Também Keller cita a grande tensão entre os EUA e a Europa. Quando eles estão de férias na Suíça costumam ser atacados por parentes e amigos pelo que ocorre nos Estados Unidos.

"Porém a pior tragédia é que os problemas que ocasionaram os atentados, cinco anos depois do ataque, ainda não foram resolvidos, mesmo minimizados", conclui.

Ground Zero

Há muito tempo Wuersch não vai ao Ground Zero. "A primeira visita foi muito difícil para mim do ponto de vista emocional".

Também Keller hesitou muito tempo até ir pela primeira vez ao ponto central da destruição depois dos atentados. Até hoje ela sente-se triste quando passa nas suas proximidades.

Os dois lamentam que até hoje nenhuma proposta verdadeiramente construtiva tenha sido feita para ocupar o espaço deixado pelo desaparecimento das torres gêmeas. "Enquanto essa ferida estiver exposta, o trauma de 11 de setembro ainda estará mais forte do que nunca", declara Wuersch.

Ninguém pensa em partir

Os dois suíços são questionados se Nova Iorque se transformou numa outra cidade. "Não. No primeiro ano depois do atentado talvez sim, mas hoje em dia é 'back to normal'. A cidade não perdeu a sua alma", responde sem dúvida Wuersch.

Ele já teria pensado em se mudar? "Não, isso seria uma vitória para os terroristas e por isso fora de questão para mim".

Keller também dá uma resposta parecida: - "Eu não permito ser desalojada do meu lar".

swissinfo, Rita Emch

Breves

Daniel A. Wuersch
Nascido em 1960, casado com uma suíça, tem três filhos com idades de 8,12 e 15 anos. A família vive nos EUA desde 1991.
Presidente da Sociedade Suíça de Nova Iorque desde 2004.

Vreni Keller
Nascida em 1951, casada com um suíço, tem uma filha de 22 anos.
Ela vive nos EUA desde 1983 e seu marido, desde 1970.

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Fatos

Em 2005, cerca de 71.773 suíços estavam vivendo nos Estados Unidos, sendo que um terço na região de Nova Iorque.
49.871 dos suíços residindo no país têm a dupla-nacionalidade.

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Ground Zero

Cinco anos depois dos ataques terroristas de 11 de setembro de 2001, onde pouco mais de três mil pessoas faleceram, a vida em Nova Iorque voltou à normalidade.

Porém o chamado "Ground Zero" - o espaço destruído onde estavam as duas torres do World Trade Center – ainda é um canteiro de obras, visitado diariamente por um grande número de turistas.

Ainda se discute como a praça deverá ser reconstruída.

As vítimas devem ser lembradas por um memorial, que ainda não está definido como será construído.

Ao lado devem ser construídas também novas torres: de um lado a Freedom Tower (Torre da Liberdade) – com a altura simbólica de 1.776 pés em lembrança ao ano da Declaração de Independência dos EUA. Os fundamentos da construção já foram colocados no início de abril.

Poucos dias antes do 5o aniversário do atentado, os planos mais recentes para a construção de três outras torres foram revelados. Eles prevêem a criação de uma espécie de espiral em volta do Grund Zero.

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